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Fundador do WikiLeaks é libertado sob fiança

por Avril Ormsby e Adrian Croft publicado , última modificação 16/12/2010 16h22 © Thomson Reuters 2010. All rights reserved.

Assange concede entrevista após ser liberado sob fiança em Londres (Foto:Stefan Wermuth/Reuters)

Londres - O fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, foi libertado sob fiança nesta quinta-feira (16), enquanto luta contra a extradição pedida pela Suécia, onde é acusado por crimes sexuais.

A Alta Corte de Justiça de Londres decidiu que Assange  terá direito a aguardar em liberdade o processo. A corte poderia manter ou reverter a decisão de uma instância inferior, que autorizou a liberdade condicional para Assange sob o pagamento de fiança de 200 mil libras (US$ 317 mil ou R$ 535,3 mil). Promotores britânicos recorreram dessa decisão.

Na saída da prisão em Londres, Assange disse que espera continuar seu trabalho e a reivindicar sua inocência.

Julian chegou ao tribunal com ar desafiador, fazendo um sinal de vitória ao descer do veículo policial. Seu advogado, Mark Stephens, se disse confiante na concessão da fiança, e afirmou que seus apoiadores já arrecadaram as 200 mil libras da fiança.

O WikiLeaks tem irritado os EUA nas últimas semanas, desde que começou a divulgar mais de 250 mil comunicações secretas da diplomacia norte-americana.

Assange é acusado por duas ex-voluntárias do WikiLeaks de coação sexual e de ter mantido relações com elas sem usar preservativos - o que na Suécia é considerado uma forma de estupro. Ele rejeita as acusações e se diz vítima de perseguição política.

Na terça-feira (14), um juiz decidiu que Assange poderia ser solto sob fiança, mas a promotoria britânica, representando o governo sueco, decidiu recorrer, e ele foi mantido sob custódia até a nova audiência.

Pela decisão da primeira instância, Assange deveria se instalar na mansão rural de um simpatizante, no leste da Inglaterra, e precisaria usar um localizador eletrônico e se apresentar diariamente à polícia.

A promotoria alegou que essas medidas não o impediriam de fugir, e por isso recorreu da liberdade condicional. A extradição propriamente dita deve ser decidida em fevereiro.

Assange e seus advogados não escondem o temor de que ele seja indiciado por autoridades norte-americanas por espionagem. Não ficou claro se a iniciativa de mantê-lo preso partiu das autoridades suecas ou britânicas. A promotoria sueca disse que o caso está nas mãos da promotoria britânica, que por sua vez afirmou defender os interesses do governo sueco no caso.

 

Fonte: Reuters