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Morre ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner, aos 60 anos

por Redação da RBA publicado , última modificação 27/10/2010 11h45

Kirchner morreu na cidade de Calafate nesta quarta-feira após sofrer uma insuficiência cardíaca aguda (Foto: Jorge Adorno/Reuters)

São Paulo - O ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner, considerado o político mais poderoso da Argentina, morreu nesta quarta-feira (27) depois de ter sido hospitalizado na cidade de Calafate, no sul do país, informou seu médico pessoal.

Segundo informações divulgadas pela Presidência da Argentina, Cristina Kirchner iria receber, na manhã desta quarta, a visita de um recenseador e responder ao questionário do Censo 2010 argentino. Pouco antes de amanhecer, Néstor Kirchner sentiu-se mal e foi levado para o Hospital Formenti, em El Calafate, onde morreu. A mídia local informou que a presidente Cristina Fernández se encontrava ao lado do marido quando ele foi internado no hospital José Formenti, em Calafate.

"Foi uma morte repentina. Será divulgado um informe médico oficial", disse o médico de Kirchner, Luis Buonomo. Kirchner havia sido internado duas vezes este ano por problemas cardíacos. Em setembro, havia sido submetido a uma angioplastia em Buenos Aires.

O chefe de Gabinete da Casa Rosada, Aníbal Fernandez, informou que o corpo de Kirchner será velado com honras no Congresso Nacional. Ele já instruiu os auxiliares para providenciar a cerimônia prevista para ex-chefes de Estado.

A família Kirchner, reunida na casa de El Calafate, ainda não decidiu se haverá cerimônia íntima, antes de o corpo do ex-presidente ser transferido para Buenos Aires.

Estilo K.

Kirchner era tido como o assessor mais próximo da presidente Cristina Fernández de Kirchner, sua mulher e sucessora, e também um importante mediador no governo dela. Ele pretendia candidatar-se novamente a presidente na eleição do ano que vem. O ex-presidente era deputado federal e secretário-geral da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), além de presidente do poderoso Partido Justicialista (peronista).

O ex-presidente nasceu em Rio Gallegos, capital da província de Santa Cruz. Ainda muito jovem, filiou-se à Juventude Peronista, onde começou sua carreira política. Casou-se com Cristina Kirchner, atual presidente do país, em 1975. Juntos, tiveram participação ativa na corrente política de esquerda que, nos turbulentos anos da ditadura militar, derrubou a então presidente Maria Estela Martinez de Perón.

O nome de Kirchner passou a ser nacionalmente conhecido na Argentina quando foi eleito intendente de sua cidade natal, cargo equivalente ao de prefeito, em 1987. Na mesma época, o Partido Justicialista indicou-o para o governo da província de Santa Cruz, cargo para o qual foi eleito em 1991.

Ele chegou à Presidência da Argentina em 2003, quando o país começava a sair de uma profunda crise econômica. Ele era o candidato indicado do então presidente Eduardo Duhalde. Kirchner concorreu ao cargo com Carlos Menem e Alberto Rodríguez Saá. No segundo turno da eleição presidencial, Menem retirou sua candidatura e Kirchner acabou eleito.

Antes de assumir o governo da Argentina, Néstor Kirchner visitou Brasília e Santiago do Chile, onde se encontrou com os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Ricardo Lagos. Durante as visitas, Kirchner propôs a recuperação econômica do continente sulamericano tendo como base uma política de centro-esquerda. Em seu discurso de posse, Kirchner reafirmou o papel central do Estado na formulação das políticas de desenvolvimento econômico e prometeu uma "luta implacável" contra a corrupção.

Além disso, voltou sua atenção ao Mercado Comum do Sul. Em seus primeiros meses no governo, surpreendeu os argentinos ao decretar a demissão de metade dos generais e almirantes do país, e promover uma "limpeza” na polícia argentina. Ficou a seu cargo a renegociação de uma dívida pública de US$ 145 bilhões e o combate à pobreza que afetava 60% dos 37 milhões de argentinos.

Durante a administração de Néstor Kirchner, a Argentina voltou a crescer a partir de várias renegociações das dívidas com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Dados oficiais informam que neste período o índice de pobreza e de desemprego tiveram queda substancial.

A recuperação se consolidou em seu governo, o que lhe permitiu deixar o cargo em 2007 com elevada popularidade. Sua mulher foi eleita para sucedê-lo e concluirá o mandato no ano que vem. Seu modo de governar ficou conhecido como "Estilo K.", marcado por declarações contundentes e diretas, destinadas aos adversários, outros países ou forças político-econômicas.

O governo de Néstor Kirchner centralizou ações na defesa dos direitos humanos, que acabaram levando a julgamento público vários integrantes da ditadura argentina e a posterior condenação de vários deles.

Com informações da Reuters e Agência Brasil

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