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Exército do Equador resgata Rafael Correa

por Luiz Antônio Alves, da Agência Brasil na Argentina publicado 01/10/2010 10h04, última modificação 01/10/2010 10h09

Rafael Correa durante o início do conflito nesta quinta-feira (30), antes de ir para o Hospital da Polícia de Quito (Foto: Guilhermo Granja/Reuters)

Buenos Aires - O presidente do Equador, Rafael Correa, foi resgatano na noite desta quinta-feira (30) do Hospital da Polícia de Quito por um grupo de militares das Forças Armadas. Um carro em alta velocidade deixou o local levando o presidente. As informações estão foram transmitidas pela Telesur, rede de televisão mantida por vários governos e sediada na Venezuela.

Pouco antes do resgate de Correa, militares das Forças Armadas do Equador chegaram ao hospital onde o presidente Rafael Correa era mantido sequestrado há várias horas por policiais da Força Pública de Quito e militares que se rebelaram contra a lei que corta salários e beneficios das categorias. Correa compareceu ao hospital no começo da tarde para dialogar com os rebeldes mas foi atingido por gás lacrimogêno e levado em seguida para o interior do prédio para receber atendimento médico. Desde então, foi impedido de sair do local.

Os militares das Forças Armadas chegaram ao Hospital da Polícia de Quito em caminhões e foram recebidos por tiros pelos policiais que se encontram dentro do prédio. A multidão que estava no local permaneceu por vários minutos sob o fogo cruzado. Há notícias de vários civis e militares feridos. As imagens do confronto foram exibidas pela Telesur.

Apesar do tiroteio, a multidão não deixou o local e gritava palavras de ordem a favor da democracia. A fumaça de bombas de gás lacrimogêno se espalhava pelas ruas próximas ao hospital.

Unasul

Presidentes dos países que integram a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) encerraram na madrugada desta sexta-feira (1) reunião de emergência realizada na capital argentina para discutir a rebelião policial ocorrida em Quito, capital do Equador, e manifestar solidariedade ao presidente Rafael Correa. Eles decidiram que os chanceleres viajarão ainda a Quito para expressar o respaldo da Unasul a Correa e ao povo equatoriano.

Reunidos na sede da chancelaria argentina em Buenos Aires após convocação do secretário-geral da Unasul, Néstor Kirchner, e de Cristina Kirchner, que exerce a presidência rotativa do bloco regional, os presidentes divulgaram documento no final do encontro reafirmando seu compromisso com a preservação da institucionalidade democrática, do Estado de Direito, da ordem constitucional, da paz social e do "irrestrito respeito aos direitos humanos, condições essenciais do processo de integração regional".

Os presidente condenaram o que chamaram de "tentativa de golpe de Estado" ocorrida no Equador e o posterior "sequestro de Rafael Correa" e celebraram a sua libertação, com a consequente "volta da normalidade institucional e democrática na república irmã". O documento afirma que será necessário que os responsáveis pela tentativa de golpe sejam julgados e condenados e reitera "o mais pleno respaldo ao governo constitucional" do Equador.

Participaram da reunião de emergência da Unasul a presidente argentina, Cristina Kirchner; José Mujica, do Uruguai; Evo Morales, da Bolívia; Sebastián Piñera, do Chile; Alan Garcia, do Peru; Juan Manuel Santos, da Colômbia; e Hugo Chávez, da Venezuela. O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, não compareceu por estar sob cuidados médicos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi representado pelo secretário-geral do Itamaraty, Antônio Patriota. O chanceler argentino, Héctor Timerman, também participou da reunião de emergência da Unasul, bloco regional formado pela Argentina, pelo Brasil, Uruguai, Paraguai, pela Bolívia, Colômbia, pelo Equador, Peru, Chile, pela Guiana, pelo Suriname e pela Venezuela.

 

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