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Chávez e aliados se reúnem em Havana para revitalizar a Alba

por Esteban Israel publicado , última modificação 11/12/2009 17h06 © Thomson Reuters 2009. All rights reserved

(Foto : David Mercado/Reuters)

Havana - O presidente venezuelano, Hugo Chávez, e seus parceiros latino-americanos vão se reunir em Cuba no fim de semana para revitalizar uma aliança de esquerda criada há cinco anos contra as políticas de livre comércio do governo norte-americano anterior.

A cúpula da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (Alba) revisará no domingo e na segunda-feira em Havana os resultados do grupo fundado por Chávez e pelo ex-presidente cubano Fidel Castro.

"Temos muitos problemas ainda no tema da pobreza, no tema da energia, no tema alimentício, que são crises que vêm do capitalismo", adiantou o presidente boliviano, Evo Morales, exultante após sua reeleição no domingo passado.

A cúpula promete críticas ao presidente norte-americano, Barack Obama, que irritou Chávez e outros líderes da América Latina ao aumentar suas operações militares na Colômbia e ao aceitar as eleições após o golpe de Estado em Honduras.

Fidel Castro, venerado por seus aliados da Alba, disse na véspera da reunião que não vê diferenças entre Obama e o ex-presidente norte-americano George W. Bush em temas como, por exemplo, a guerra do Afeganistão.

A quinta cúpula da Alba também fixará a posição do grupo sobre a mudança climática, outro tema com o qual se sentem frustrados por Obama, ante a conferência mundial da Organização das Nações Unidas (ONU), que se encerra na próxima semana em Copenhague, na Dinamarca.

"As nações mais ricas tratarão de lançar sobre as mais pobres o peso da carga para salvar a espécie humana", advertiu Fidel em uma coluna publicada na Internet.

Petróleo e Cooperação

A aliança Alba, que começou em 2004 com uma troca de petróleo venezuelano por serviços médicos cubanos, cresceu à medida que mais países, como Bolívia, Nicarágua e Equador, moveram-se para a esquerda.

A Venezuela, um dos maiores exportadores de petróleo do mundo e cuja economia representa 70% da Alba, ajudou a financiar programas de assistência médica e alfabetização que beneficiaram milhões de pobres.

O presidente do Banco Central da Nicarágua, Antenor Rosales, disse recentemente que o petróleo venezuelano continua fluindo, apesar da crise financeira e da queda dos preços do petróleo bruto.

Os benefícios da aliança também são palpáveis em Cuba que, apesar de uma grave crise de liquidez, recebe 98 mil barris diários de petróleo bruto venezuelano com financiamento preferencial.

"Não sei o que aconteceria se a Venezuela deixasse de nos apoiar. Melhor nem pensar nisso", disse José, um agricultor da região de Havana.

O ministro cubano dos Investimentos Estrangeiros, Rodrigo Malmierca, adiantou que na cúpula do fim de semana a Alba começaria a negociar um "Tratado de Comércio dos Povos."

Também falarão do sucre, a futura moeda única para o comércio interior, com a qual, dizem, buscam se libertar do "jugo do dólar."

Fonte: Reuters

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