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Candidato desiste de eleições em Honduras após fracasso de acordo

por Redação da RBA publicado , última modificação 09/11/2009 09h04

(Foto: Henry Romero/Reuters)

O candidato à presidência de Honduras Carlos H. Reyes renunciou a sua candidatura às eleições previstas para 29 de novembro. Reyes afirma que não há garantias institucionais para o pleito, já que Manuel Zelaya, presidente eleito e deposto, não foi restituído ao poder.

Reyes deve comparecer ao Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) para entregar a nota de renúncia apenas nesta terça-feira (10). Dirigente do sindicato da Cervejaria Hondurenha, ele é membro da Frente de Resistência contra o golpe.

Representantes do presidente deposto de Honduras Manuel Zelaya e do governo golpista se reuniram no sábado com esperança de ressuscitar o pacto firmado sob a tutela de Washington, com o qual buscam tirar o país da pior crise em décadas. Na quinta-feira (5), terminou o prazo para a formação de um governo interino, mas o Congresso do país não votou volta de mandatário eleito ao poder.

O acordo previa uma administração interina formar de unidade nacional e que o Congresso decidiria se deveria retomar a presidência. Roberto Micheletti, presidente golpista, declarou na sexta-feira (6) que o governo interino estava formado mesmo sem a participação de Zelaya.

Ofuscada pela crise política, a campanha eleitoral para as eleições presidenciais segue sem o interesse da população. Colaboram para o fenômeno incertezas políticas, como o fato de a maioria dos países afirmar que não reconhecerá o processo se Zelaya não for restituído.

Faltam apenas três semanas para as eleições e as ruas, que em qualquer campanha desse tipo aparecem cheias de informes dos principais partidos, estão dominadas por pichações contra o golpe ou pedindo um boicote contra as eleições.

"Foram os políticos que causaram este problema político e por isso não me interessa votar em nenhum deles", disse Claudia Mencía, de 40 anos.

Reação internacional

A ruptura fez com que a Organização de Estados Americanos (OEA), que tem em Honduras uma missão que vigia o cumprimento do acordo, pedisse às partes que continuassem trabalhando em uma solução, enquanto Washington expressou decepção.

"É possível que encontremos o caminho, há um pré-acordo, mas não quero dar mais detalhes", disse Jorge Reina, negociador de Zelaya.

Na sexta-feira, Washington emitiu um alerta de viagem a Honduras que avisa a seus cidadãos sobre a incerteza política e de segurança, e pede que evitem viagens que não sejam necessárias ao país. A advertência vigora até 20 de dezembro.

O Itamaraty condenou a opção do governo golpista de descumprir o acordo. "O Brasil condena as táticas de atraso do governo de facto de Honduras", disse um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, sob condição de anonimato.

O representante da Venezuela na Organização dos Estados Americanos (OEA), Roy Chaderton, disse que "todas essas manobras de atraso burlando a comunidade internacional, especialmente a enfraquecida OEA, é com o propósito de ganhar tempo, chegar até muito próximo das eleições."

Ele acrescentou que o governo golpista deseja "se for possível, não restituir no exercício de suas funções o presidente Zelaya ou fazê-lo de última hora, de tal forma que, com as mãos atadas, não possa fazer muito."

Com informações da Reuters