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ONU comemora, mas negociadores brasileiros mostram cautela

por Redação da RBA publicado , última modificação 30/10/2009 18h15

Ban Ki-moon afirmou que espera que o país esteja agora no caminho para a restituição completa da democracia (Foto: Oswaldo Rivas/Reuters)

A Organização das Nações Unidas e o governo Brasileiro expressaram aprovação ao acordo para superar a crise política em Honduras. Em nota, o Itamaraty manifesta expectativa de que o país volte à normalidade, mas negociadores brasileiros preferem ser cautelosos. A Organização dos Estados Americanos (OEA) enviará uma missão específica ao país para acompanhar o cumprimento do acordo.

Representantes do presidente deposto, Manuel Zelaya, e do governo golpista hondurenho, liderado por Roberto Micheletti, chegaram a um acordo na quinta-feira (29), depois de prolongadas negociações. Mas o documento ainda precisa da aprovação do Congresso. Alguns especialistas afirmam que os parlamentares hondurenhos devem autorizar a restituição do presidente deposto. Mas os negociadores brasileiros não arriscam palpites.

O secretário-geral da ONU Ban Ki-moon disse estar encorajado com informação. Em nota divulgada nesta sexta-feira (29), Ban afirmou que espera que o país esteja agora no caminho para a restituição completa da democracia.

"O governo brasileiro recebeu com satisfação a notícia do acordo alcançado ontem, dia 29, em Tegucigalpa, que cria as condições para o restabelecimento da ordem democrática em Honduras", informou o Itamaraty em nota.

A chancelaria brasileira também expressou a expectativa "de que a normalidade institucional se restabeleça dentro do mais breve prazo em Honduras, com a volta da titularidade do Poder Executivo ao estado prévio ao golpe de Estado de 28 de junho".

Para os negociadores brasileiros, o acordo é positivo, mas representa apenas o primeiro passo para futuros avanços. A expectativa, segundo diplomatas que acompanham o processo político em Honduras, é que a pressão internacional sobre o Parlamento e a Corte favoreça o cumprimento do texto.

O governo brasileiro tem apoiado a restituição de Zelaya, que foi expulso de Honduras por militares, e o recebeu como "hóspede" em sua embaixada em Tegucigalpa quando o mandatário retornou secretamente ao país, em 21 de setembro.

Na quarta-feira (28), Honduras entrou com uma denúncia contra o Brasil na Corte Internacional de Justiça de Haia por permitir que Zelaya se refugie em sua embaixada.

O pedido argumenta que o mandatário deposto e seus seguidores usam a sede diplomática brasileira como plataforma de propaganda política, "ameaçando a paz e a ordem pública de Honduras".

O Itamaraty disse que, com a solução pacífica da crise, o governo brasileiro espera "a pronta normalização da situação de sua Embaixada em Tegucigalpa".

No comunicado, o Brasil também felicitou o povo hondurenho pela saída "pacífica da crise" e disse confiar que o acordo possa permitir "a plena reintegração de Honduras ao sistema interamericano e internacional".

Com informações da Reuters e Rádio ONU