Governo não ouve a população e avança na construção de presídio de segurança máxima
População do Vale do Ribeira, Registro especialmente, continua sua batalha para evitar que o governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, autorize a construção de uma supercadeia
Publicado em 11/04/2011, 18:06
Última atualização às 18:16
Segundo as autoridades municipais, a construção de um presídio travaria o desenvolvimento da região, principalmente o turismo. “Queremos que Registro continue sendo uma cidade boa para os moradores. Lutamos para que o presídio não seja construído no Vale do Ribeira, muito menos a seis quilômetros do centro da cidade, como quer o governador” – desabafa o vereador Marcos Portela (PT).
A prefeita de Registro, Sandra Kennedy (PT), tentará convencer o governador a substituir a construção do presídio, que abrigaria 750 presos condenados pela Justiça, por um Centro de Detenção Provisória (CDP), que acolheria apenas presos que ainda não foram julgados. “Estou otimista com a mudança do projeto, pois esse governo é mais aberto ao diálogo. Temos um secretário do governo, Márcio França, do Turismo, e o líder do governo na Assembleia, deputado Samuel Moreira, que são da região e já se posicionaram contra a construção do presídio” – disse ela.
Carlos Puzzi, diretor regional da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), acredita que o governo estadual deveria oferecer uma compensação para a região do Vale do Ribeira devido ao problema social que a construção desse presídio irá trazer. A sociedade desconfia que, junto com os presos, a cidade receberá o crime organizado.
Vale do Ribeira apoia troca por CDP
No dia 31 de março, houve reunião com mais de 200 pessoas na Câmara Municipal da cidade para discutir o tema. Além de analisar a licença ambiental concedida pela Cetesb para a construção do presídio no local, os presentes concordaram em reivindicar do governo do Estado a construção de um CDP para 350 presos da região.
Em entrevista, a prefeita de Sete Barras, Nilce Ayako Miashita (PR), revelou que também prefere a construção de um CDP a um presídio: “Estou de acordo com a Sandra (Kennedy) em relação à troca por um CDP – disse.
O governo estadual alega que o presídio receberia apenas detentos da região. Porém, o Vale do Ribeira tem 390 presos que cumprem pena em várias regiões do Estado. Com o presídio de 756 vagas, mesmo que houvesse regionalização das vagas – sobrariam mais de 350 vagas para presos de outras regiões, até mesmo do crime organizado. Outro ponto que preocupa o Vale do Ribeira é o local de construção da obra, já desapropriado, às margens da BR-116, a rodovia Régis Bittencourt. No caso de uma rebelião, a rodovia de ligação com os países do Mercosul e principal via entre o Sul e o Sudeste do Brasil teria de ser interditada.”
| A FAVOR | CONTRA |
|---|---|
| As regiões precisam contribuir para resolver a falta de vagas nas prisões | A região tem apenas 1% da população do Estado. Pelo tamanho da população, muitos bairros de grandes cidades deveriam ter presídios |
| Toda região precisa cuidar de seus próprios presidiários | A Lei de Execução Penal não prevê que o preso deva ser enviado para o presídio mais próximo de sua residência |
| Os presídios regionais deixam as famílias mais perto dos presos, facilitando a ressocialização | Não há garantia de que os presidiários que moram no Vale do Ribeira venham para o presídio da região. A Lei de Execução Penal não prevê vagas regionalizadas |
| Não atrapalha o desenvolvimento da região | Dificulta novos investimentos – por extensão o desenvolvimento – , em particular o turismo |
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