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Serra do Japi: tombamento faz 30 anos, mas parece que foi ontem

Comemoração no Museu Histórico e Cultural Solar do Barão de Jundiaí marcou a data, no início de março
por Redação Jornal Brasil Atual publicado 03/05/2013 12h29
Comemoração no Museu Histórico e Cultural Solar do Barão de Jundiaí marcou a data, no início de março
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Serra do Japi

Patrimônio da biodiversidade, Serra do Japi completa 30 anos de seu tombamento e garantia de preservação

Realizada em 8 de março, a festa marcou os 30 anos de tombamento da Serra do Japi, data em que foi lembrado o geógrafo Aziz Ab’Saber, morto em 2012, que era o presidente do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephat), em 1983.

Além de ser belo o lugar, a serra é uma grande reserva biológica da região de Mata Atlântica, que oferece clima ameno, um lençol freático importante e rica flora e fauna, com matas, riachos, cachoeiras, bichos e diferentes espécies. Em 1992, o local foi tombado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), como patrimônio da humanidade e declarada reserva da biosfera.

A área de 354 km² de floresta contínua abrange quatro municípios – 90% de seu território está em Jundiaí e Cabreúva –, e sua formação geológica tem milhões de anos. Trata-se de um dos maiores patrimônios do Estado – com enorme valor ambiental para Jundiaí, por compor a paisagem da região – e está protegida desde 2004 por uma lei que especifica as atividades permitidas no lugar.

Cinco anos antes de seu tombamento pelo Estado – portanto em 1978, em plena vigência da ditadura militar –, cerca de três mil pessoas participaram de uma memorável passeata contra o avanço da especulação imobiliária e os grandes interesses econômicos que ameaçavam a serra, indo da Praça da Bandeira, em Jundiaí, até o Pico do Mirante – a primeira manifestação em favor dela foi do ex-prefeito de Jundiaí Vasco Venchiarutti, em 1960, ao desapropriar um pedaço do topo da serra e advertir seus sucessores de que era preciso que eles ampliassem o seu gesto para toda a Serra do Japi, a fim de que ela virasse um parque público.

Depois de serem acompanhados nas picadas pelo canto de pássaros, por nuvens de borboletas, por cipós pendurados sobre caminhos quase invencíveis, trazendo nos corações puros os espíritos indígenas que por ali vagueiam e sufocados por grande estranheza ao retornarem ao conhecido habitat citadino, Hermógenes Freitas Filho, Patrícia Morelato e Aziz Ab’Saber escreveram, quase uma década depois da preservação, um livro clássico –História Natural da Serra do Japi –, em que revelam as surpreendentes espécies de plantas e animais que viviam na serra e preservavam da devastação um bioma adaptado à região, ao clima e ao relevo do Japi.

Pela preservação

Para marcar a importância do que a Serra do Japi representa, o prefeito Pedro Bigardi anunciou quatro ações básicas que irão ampliar a preservação da reserva biológica. São elas: a criação do Centro de Referência Ambiental; a criação da Fundação Serra do Japi; a reestruturação e abertura da Cachoeira Morungaba; e a criação do Sistema de Monitoria Ambiental. “Para preservar é imprescindível conhecer a Serra do Japi e esta será a função das visitas monitoradas e do instituto de pesquisa. Vamos reestruturar os acessos e ter visitas monitoradas à cachoeira. A discussão será aberta à sociedade, com audiências públicas a fim de envolver toda a população” – disse o prefeito.


Novo livro: olhares e saberes

Foi lançado no evento de 30 anos de tombamento da Serra do Japi um novo livro, Novos Olhares, Novos Saberes sobre a Serra do Japi: Ecos de sua Biodiversidade, organizado pelo professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) João Vasconcellos Neto, pela professora Patrícia Regina Polli, da Ecojapi – empresa de consultoria da área de meio ambiente –, e pela professora Angélica Maria Penteado-Dias, do Departamento de Ecologia da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar). Reúne, em 24 capítulos, 46 pesquisadores de pelo menos 20 instituições de ensino e pesquisa. O livro traz informações científicas a respeito de plantas e animais que vivem na área, tem 628 páginas e está à venda no site da Editora CRV, por R$ 299,90.

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