Sorocabana: má administração afunda hospital Sorocabana em dívidas
Instituição que já foi modelo de atendimento fecha seus 350 leitos e acumula pelo menos R$ 200 milhões em débitos. Vereador quer CPI
Por: Jornal Brasil Atual
Publicado em 25/06/2011, 14:54
Última atualização em 30/06/2011, 13:27
O Hospital Central Sorocabana fechou suas portas depois de acumular dívidas e não pagar seus funcionários (Foto: Divulgação)
O vereador petista Carlos Neder, na tribuna da Câmara Municipal paulistana, acusou o gestor da Associação Beneficente dos Hospitais Sorocabana (ABHS), da Lapa, Carlos Alberto de Amorim Pinto, que assumiu o cargo em fevereiro, de ser incapaz de administrar a entidade. Segundo Neder, Amorim recebeu mais de R$ 200 milhões da Prefeitura e continua negociando com ela em nome da Associação e do Hospital Central Sorocabana. “É uma pessoa sem os requisitos mínimos de decência e de probidade para lidar com recursos públicos”, diz Neder. “Ele tem duplicidade de CPF e está (em situação) irregular na Receita Federal”, completa.
Neder é autor de um requerimento – feito no ano passado, quando cumpria mandato de deputado estadual – para que uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) investigue o fechamento do Hospital Sorocabana, que funcionava com recursos do SUS e acumulou dívida superior a R$ 200 milhões. Ele foi fechado em setembro do ano passado.
Este ano, Luiz Cláudio Marcolino, outro deputado estadual petista, entrou na briga. Ele protocolou um ofício para o governador Geraldo Alckmin com o objetivo de saber, entre outras coisas, como o governo estadual avalia o fechamento do complexo hospitalar, erguido num terreno do Estado. “Com o encerramento das atividades do Hospital Central Sorocabana, eu quero saber quais as medidas que o Governo do Estado tomou em relação a essa questão” – diz o deputado.
O Ministério Público Estadual acompanha a crise do hospital desde 2010 e já vetou a renovação de um acordo entre a Prefeitura e o Sorocabana. A unidade acumula dívidas trabalhistas e com fornecedores. “A nova direção nada tem a ver com esses problemas.”
No auge de suas atividades, o hospital chegou a atender 20 mil pacientes por mês; quando fechou, atendia dois mil. A demanda sobrecarrega agora o pronto-socorro da Lapa, que não tem como dar conta também das consultas da população local.
O início e o fim
O Hospital Central Sorocabana iniciou suas atividades em 1955, na Rua Faustolo, na Lapa. O imóvel era do Governo do Estado, que o transferiu, no ano seguinte, para a Associação
Beneficente dos Hospitais Sorocabana, com cláusula de proibição de venda.
O objetivo do hospital era atender os funcionários da Ferrovia Paulista S/A – FEPASA. Credenciado pelo Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social – INAMPS –, nos anos 60, passou a integrar o Sistema Único de Saúde (SUS) tornando-se ao longo dos anos um dos mais importantes hospitais de atendimento público. No entanto, após sucessivas crises administrativas, ele encerrou suas atividades em 2010.
Dúvidas que não se calam
As causas que levaram o Hospital Sorocabana à insolvência são inúmeras. Há denúncias de irregularidades registradas em reportagens na mídia e levadas ao Ministério Público para providências. Dívidas trabalhistas, com fornecedores, prestadores de serviços e outros atingem a cifra de dezenas de milhões de reais. As seguintes dúvidas pairam sobre a instituição:
- Quais foram os recursos transferidos do Tesouro Estadual para o Hospital Central Sorocabana nos últimos dez anos?
- O Governo do Estado conhecia os problemas administrativos envolvendo a instituição? Quais foram as medidas legais adotadas?
- Qual a situação legal do imóvel ocupado pelo Hospital Central Sorocabana?
- Prevê-se a devolução do imóvel à Fazenda do Estado em caso de interrupção das atividades hospitalares ou dissolução da entidade beneficente? Com o encerramento das atividades do Hospital Central Sorocabana, que medidas o Governo do Estado tomou em relação a essa questão?
- Quais são as ações do Governo do Estado para manter o referido hospital em operação?
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