Moradores do Alto de Pinheiros recuperam praças a partir de ideia simples
Menina pede festa de aniversário ao ar livre e dá origem a movimento de cidadãos de ocupação do espaço urbano
Publicado em 25/06/2011, 15:19
Última atualização em 27/06/2011, 17:24
Praça François Belanger: a menina que mudou o lugar e influenciou as pessoas (Foto: Arquivo pessoal)
O Movimento Boa Praça nasceu de um presente incomum pedido por Alice Lotufo a sua mãe Cecília, dias antes de completar quatro anos, em 2008. “Mãe, quero meu aniversário na minha pracinha (a Praça François Belanger, no Alto de Pinheiros, zona oeste da capital paulista) e voltar a brincar lá!”
Cecília negociou com a filha – ela não receberia presentes, mas a festa de aniversário que havia pedido. Porém, a praça se encontrava em estado lastimável de conservação e com muita sujeira. Os balanços e os escorregadores estavam quebrados e enferrujados.
A mãe então mobilizou os moradores do entorno para limpar o local e solicitou à Prefeitura melhorias na praça, com a colocação de novos brinquedos e nova vegetação. Assim, a festa de sua filha virou uma festa comunitária. Amigos, vizinhos e empresas se uniram pela "causa de Alice".
Cerca de 200 pessoas compareceram ao aniversário
. Além de bolo, refrigerantes, salgadinhos, havia também uma festa pela inauguração de um pátio de mudas de plantas e de novas lixeiras. Porém, meses depois, a praça voltou a se deteriorar. E a comunidade percebeu que ela devia ser "ocupada" para não voltar ao estado precário anterior.
Cecília convocou novamente os amigos, que a ajudaram na realização de outra festa, pelo movimento permanente nas praças. Nascia o Movimento Boa Praça, cuja finalidade é transformar as praças em espaços educativos, com a realização de piqueniques comunitários no último domingo de cada mês. Todo
mundo auxilia. Uns levam comidas, outros organizam atividades ao longo do dia. Há mutirões para revitalização do local, oficinas de grafite e de mosaico, jogos de tabuleiro, apresentações artísticas e palestras sobre meio ambiente.
Os bons vizinhos
Ele se considera um vizinho gente fina, que gosta de conhecer quem mora do outro lado do muro de sua casa. O biólogo Guilherme Freire, de 29 anos, ao se mudar da Vila Madalena para a Rua Araioses, no Alto de Pinheiros, meses antes da festa de Alice, também foi influenciado pela comemoração e ajudou a fortalecer o Movimento Boa Praça. “O aniversário na praça foi um exemplo positivo de como os vizinhos podem se mobilizar nas suas regiões. A partir de uma ideia

simples de uma criança, iniciamos um trabalho de conservação do nosso espaço público. Isso foi de grande valia para mim, que gosto de conhecer meus vizinhos” – diz Guilherme.
Ele ajudou a organizar as primeiras atividades do grupo. Guilherme define o movimento como um passo importante numa busca que objetiva suprir uma série de carências da cidade grande, como a de não conhecer os vizinhos e passar despercebido entre as pessoas. “São Paulo, ao contrário das cidades do interior, em que todo mundo se conhece, tem a vantagem aparente de o morador tornar-se anônimo à sociedade” – ressalta.
Para mais informações acesse: http://boapraca.ning.com
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