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No interior paulista, a praga do caramujo que era pra ser escargot

Por: Redação do Jornal Brasil Atual

Publicado em 26/02/2011, 14:54

Última atualização às 14:54

Garça - A chuva favorece a procriação do molusco que virou uma praga. Como não têm predadores naturais, eles infestam as cidades. O comerciante Elias Torcineli sente na pele o tormento na cidade de Garça, no interior paulista. Todo dia, de manhã, ele recolhe dezenas de caramujos em Vila Manolo, do muro de seu terreno. Seus vizinhos também encaram essa batalha, que parece não ter fim.

Os bichos reaparecem por toda a parte. Com o tempo quente, o caramujo se aloja na terra e só vem à superfície quando chove. Aí, cada exemplar deposita 200 ovos na superfície, proliferando geometricamente. A Vigilância Sanitária recomenda que, ao encontrar os caramujos, o morador deve recolhê-los com as mãos (sempre com luvas ou saco plástico), colocá-los em latas e queimá-los. Depois, é preciso quebrar suas conchas e enterrar. Também é recomendado mergulhá-los numa  solução de água e sal. A combinação os desidrata e os leva à morte.

O molusco possui vermes que são transmitidos ao homem através do muco e das fezes. Um deles causa doença abdominal grave, que pode provocar a perfuração intestinal, hemorragia abdominal e resultar em morte, e o outro causa distúrbios no sistema nervoso e fortes e constantes dores de cabeça.

Eles vieram de longe

Originário do nordeste da África, o caramujo gigante africano foi introduzido no Brasil em 1988, trazido como escargot. Não deu certo: o bicho é nojento e seu cheiro não é nada agradável. Na época, criadores paranaenses de escargot (Helix aspersa) acreditavam ter encontrado uma alternativa viável para seus negócios. O caramujo gigante africano possibilitava a obtenção de mais carne, e o novo molusco se reproduzia mais.

Mas os consumidores não apreciaram o sabor, a textura e o aspecto da carne. A alternativa virou uma dor de cabeça. Para livrar-se dos moluscos, os criadores – inclusive os garcenses que aderiram ao modismo – os soltaram em rios, matas e terrenos baldios. Sem inimigos naturais, o caramujo proliferou, depositando seus ovos em solos úmidos e protegidos (terrenos baldios com mato alto, por exemplo). Adaptável às adversidades do ambiente, ele cresceu em território tupiniquim e se alastrou em quase todos os Estados. Mas o problema não é uma exclusividade nacional, informa o Ibama: “Os moluscos também provocam danos nos Estados Unidos e na Austrália.”

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