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Líder do governo quer votar na próxima semana adesão da Venezuela ao Mercosul

Romero Jucá tomou a iniciativa para impedir a realização de uma quarta audiência pública para debater o assunto; líder afirma que vai pedir votação nominal a cada senador quando a matéria chegar no plenário
por Marcos Chagas publicado , última modificação 09/06/2009 15h38
Romero Jucá tomou a iniciativa para impedir a realização de uma quarta audiência pública para debater o assunto; líder afirma que vai pedir votação nominal a cada senador quando a matéria chegar no plenário

Jucá quer que os senadores se posicionem publicamente (Foto: Roosewelt Pinheiro/ABr )

Brasília - O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), apresentou nesta terça-feira (9) requerimento para que a Comissão de Relações Exteriores vote, na sessão da próxima semana, o Protocolo de Adesão da Venezuela ao Mercosul. A iniciativa de Jucá foi uma maneira de tentar impedir a realização de uma quarta audiência pública para debater o assunto, proposta pelo senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR).

“Já houve, na comissão, três audiências públicas sobre o assunto. O que se vai fazer aqui é tomar uma decisão política, se queremos ou não a Venezuela no Mercosul. Quando a matéria chegar no plenário pedirei votação nominal para que cada senador se posicione publicamente”, afirmou Jucá.

Nesta quarta-feira (10), a comissão se reunirá para votar requerimentos pendentes. A proposta de Mozarildo Cavalcanti é que sejam convidados para uma nova audiência pública o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o governador do Amazonas, Eduardo Braga, e o embaixador do Brasil na Guiana.

Neste terça-feira, participaram de audiência pública para debater o ingresso da Venezuela no Mercosul o ex-chanceler Celso Lafer, o jurista Ives Gandra Martins, o embaixador do Brasil na Venezuela, Antonio José Ferreira Simões, e a coordenadora do Observatório Político Sul-Americano (OPSA), Maria Regina Soares de Lima.

Tanto Celso Lafer quanto o jurista Ives Gandra são contrários ao ingresso venezuelano no Mercosul. O ex-chanceler afirmou que, aprovar o ingresso do país vizinho sem o fechamento de compromissos como a convergência para a Tarifa Externa Comum (TEC) e o programa de liberalização comercial no âmbito do Mercosul, significaria “dar um cheque em branco” para a Venezuela.

No aspecto político, Celso Lafer argumentou que o projeto de integração concebido pelo presidente Hugo Chávez não coincide com o previsto pelo Mercosul. Segundo ele, a proposta venezuelana “é fruto de uma visão que encara a política internacional e regional como uma relação amigo/inimigo, como se vê pelo seu antagonismo em relação a importantes países de nossa região”, destacou.

Já Ives Gandra Martins, dentre outros aspectos, afirmou que a “forma autoritária” como o presidente Chávez conduz a política interna e externa de seu governo pode criar “problemas sérios ao Brasil”. Em sua argumentação ele lembrou o receio já manifestado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Confederação Nacional do Comércio (CNC), esta última da qual é conselheiro, de que o Brasil aceite o ingresso venezuelano ao Mercosul, neste momento.

Já o embaixador do Brasil na país vizinho, lembrou que já existe um acordo firmado com o governo da Venezuela para que a Tarifa Externa Comum e as normas de conduta previstas para que o país participe do Mercosul deverão entrar em vigor quatro anos após a aprovação do protocolo. Acrescentou que todos os parâmetros já foram acertados com a Venezuela, o que dá segurança ao Brasil.

Maria Regina Soares Lima, por sua vez, rebateu os argumentos de caráter político e econômico que, supostamente, prejudicariam o Brasil a partir do ingresso da Venezuela no Mercosul. Do ponto de vista de preservação da democracia, uma exigência do mercado comum, a coordenadora do OPSA defendeu que o ingresso venezuelano “implicará garantias reais que ameaças externas ou situações de risco institucional sejam repudiadas pelos demais membros, conforme prevê o Protocolo de Ushuaia”. 

Fonte: Agência Brasil

 

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