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Autoridades discutem elevação de custos e legado da Copa e da Olimpíada

Responsáveis por projetos relacionados à Copa do Mundo e às Olimpíadas debatem o estágio atual das obras e das demais intervenções urbanas. Aumento dos custos recebe críticas
por Maurício Thuswohl, da RBA publicado 24/08/2012 15h10, última modificação 24/08/2012 15h19
Responsáveis por projetos relacionados à Copa do Mundo e às Olimpíadas debatem o estágio atual das obras e das demais intervenções urbanas. Aumento dos custos recebe críticas

O presidente do Sinaenco levantou dúvidas sobre o preço da restauração do Maracanã, calculado em R$ 800 milhões (Foto: Fábio Teixeira.Folhapress)

Rio de Janeiro – Algumas das autoridades responsáveis pelos diversos projetos relacionados à Copa do Mundo de 2014 e às Olimpíadas de 2016 se encontraram na quinta-feira (23) para debater o estágio atual das obras e demais intervenções urbanas planejadas para os dois eventos. Ao longo da discussão, promovida pelo Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco) no Rio de Janeiro, foi feito um balanço sobre a reforma do Maracanã, a construção do Parque Olímpico e as obras em torno do Engenhão, além dos projetos de mobilidade urbana e de revitalização da zona portuária (Porto Maravilha) levados a cabo pelo governo estadual e pela Prefeitura do Rio. 

Os debatedores concordaram que os principais projetos voltados aos dois megaeventos esportivos caminham a bom termo e devem cumprir os cronogramas inicialmente planejados, mas ressaltaram a importância de fazer com que não se transformem em “elefantes brancos” e efetivamente se tornem um legado para a cidade e o país (no caso da Copa). Outro ponto quente do debate, a indefinição sobre os custos de alguns desses projetos, que não param de crescer, foi alvo de críticas.

“Os números da Copa e sua imprecisão face à alta de [custos dos] projetos são impressionantes. Só para a construção ou remodelação dos doze estádios que serão usados, a CBF estimou em 2007 um custo de R$ 1,9 bilhão. Esse custo está estimado hoje em quase R$ 7 bilhões. O Maracanã, que deverá custar R$ 800 milhões, é o terceiro estádio mais caro, perdendo apenas para o Itaquerão em São Paulo e para o Mané Garrincha em Brasília, cada um com custos próximos a R$ 1 bilhão”, disse Márcio Amorim, presidente do Sinaenco no Rio de Janeiro.

Amorim afirmou que alguns investimentos inicialmente imaginados para a Copa não se concretizaram: “Um exemplo é o trem de alta velocidade ligando Rio, São Paulo e Campinas, que inicialmente ficou para as Olimpíadas 2016 e agora já foi adiado para 2020, sendo que até o presente não há projeto que permita definir seu traçado, seu custo e sua viabilidade”, disse o empresário. Ele também criticou os projetos de reforma dos aeroportos brasileiros, “estimados em mais de R$ 5 bilhões e com cronograma bastante atrasado”.

Diretor Executivo da Autoridade Pública Olímpica (APO) e ex-secretário-executivo do Conselho das Cidades durante o governo Lula, Elcione Diniz Macedo afirmou que o modelo de governança dos projetos relativos aos grandes eventos, ditado pela autonomia entre as esferas de poder Executivo no país, influencia no aumento de custos.

“Só no Brasil, o presidente, o governador e o prefeito são autoridades que não têm hierarquia entre si. Nos outros países não existe isso, a autonomia é relativa. A nossa é uma autonomia profunda, e isso nos traz bastante facilidade na hora de trabalhar e cada um desempenhar o seu papel, mas algumas dificuldades na hora de distribuir o dinheiro, porque o bolo acaba ficando maior. Além disso, temos que promover uma ampla discussão para garantir a entrega da infraestrutura”, disse. 

PPPs

Sobre o financiamento das instalações esportivas para as Olimpíadas, o dirigente da APO explicou que haverá um plano-mestre (Master Plan, no jargão em inglês utilizado pelo mercado) para todo o Parque Olímpico, com requalificação urbana da área e definição do domínio das instalações, além de um plano em separado para a construção das instalações em si: “Três grandes ginásios e a infraestrutura urbana do Parque Olímpico serão feitas em regime de Parceria Público-Privada (PPP), desonerando o governo federal desse dispêndio de recursos. A prefeitura do Rio licitará obras para as instalações que serão utilizadas para competições aquáticas, handebol e tênis, além do velódromo”, disse. 

A estimativa total de custos para a construção do Parque Olímpico é de R$ 1,4 bilhão e o vencedor do concurso para a efetivação da PPP foi o consórcio formado pelas construtoras Carvalho Hosken, Odebrecht e Andrade Gutierrez, que participou do pleito sem concorrentes. Já a vencedora do concurso para elaboração do Master Plan do Parque Olímpico foi a empresa norte-americana de arquitetura, engenharia e planejamento Aecom, presente no Brasil há 15 anos. 

Maracanã

Presidente da Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro (Emop) e responsável imediato pelas obras de reforma do Maracanã, Ícaro Moreno garantiu que o cronograma do projeto está sendo respeitado e que o estádio estará operacional a tempo do grande evento-teste, a Copa das Confederações, previsto para o meio do ano que vem. “Estamos trabalhando muito forte para entregar o Maracanã bem antes da Copa das Confederações. Estaremos entregando em fevereiro ou março esta obra para que possam ser feitos todos os testes necessários antes da competição”, disse.

Indagado sobre a possibilidade de ocorrência de um novo aumento na previsão de custos da reforma do Maracanã, Moreno deixou tudo em aberto: “Os recursos estão sendo suficientes. Por enquanto, dá”, limitou-se a dizer, acrescentando que “os governos estadual, municipal e federal estão juntos e trabalhando muito”. 

O Sinaenco irá organizar eventos semelhantes ao ocorrido no Rio de Janeiro em todas as cidades que poderão receber os jogos da Copa das Confederações. O próximo debate acontecerá em Fortaleza, no dia 30 de agosto, reunindo autoridades municipais e estaduais, além de dirigentes da APO.