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Com protestos, comitês populares da Copa cobram acesso a informações

Avaliação de impactos socioambientais da grandes obras para o Mundial de futebol mobiliza população de pelo menos sete das 12 cidades-sede
por Redação da RBA publicado , última modificação 20/01/2012 18h03
Avaliação de impactos socioambientais da grandes obras para o Mundial de futebol mobiliza população de pelo menos sete das 12 cidades-sede

 

São Paulo – Os impactos da Copa do Mundo de 2014 nas 12 cidades-sede brasileiras motivam protestos nesta segunda-feira (12) em pelo menos sete dessas capitais. Um dossiê dedicado a denunciar violações de direitos humanos, trabalhistas e efeitos ambientais decorrentes de grandes eventos esportivos será lançado na ocasião.

Cada uma das 12 cidades que receberão partidas do Mundial de futebol daqui dois anos e meio possui um comitê popular que acompanha as intervenções voltadas ao evento. Movimentos sociais, acadêmicos, organizações políticas e cidadãos alertam para o risco de abusos e ilegalidades em desapropriações e na atuação de agentes de segurança pública, por exemplo.

O dossiê intitulado "Megaeventos e Violações de Direitos Humanos" possui seis partes, dedicadas a moradia, trabalho, participação e representação popular', ambiente, acesso a bens públicos e mobilidade e segurança pública. Segundo os ativistas, as obras nas 12 cidades ameaçam 160 famílias, que podem ser removidas. A preocupação nesse caso é garantir o direito à habitação.

O material, elaborado pela articulação dos comitês populares com denúncias e avaliação de impactos da Copa, será protocolado em prefeituras, câmaras e secretarias municipais, além de órgãos de fiscalização. Executivos e Legislativos estaduais também recebem o dossiê, além de diversos ministérios do governo federal.

Andressa Caldas, da ONG Justiça Global e representante da articulação, acredita que o país esteja promovendo "cidades de exceção", com mau uso de dinheiro público e superfaturamento de obras. Eles afirmam que apenas sete grandes empreiteiras do país são beneficiadas com o modelo.

"As remoções são um tópico emblemático", exemplifica Andressa. Eles acusam "procedimentos arbitrários" para a retirada de famílias, sem prazo suficiente nem pagamento de indenização adequada. Eles criticam ainda a falta de informações consolidadas pelo governo federal sobre desapropriações em todo o país. "O próprio governo brasileiro não apresenta esse dado, o que revela a marca mais forte dos jogos: a negação do direito à participação pública e a informação", criticou.

Nas cidades

No Rio de Janeiro, a concentração acontece em frente à prefeitura às 10h30. A entrega do dossiê está marcada para as 12h. Belo Horizonte terá marcha a partir das 14h, da praça Sete até a prefeitura. A entrega será às 16h. Em São Paulo, às 10h, os ativistas concetram-se em frente à administração municipal.

As prefeituras de São José dos Pinhais (PR) e da capital são alvos do comitê paranaense, com entrega prevista para às 13h. Porto Alegre terá concentração em frente a prefeitura às 16h30.

Natal conta com uma Associação dos Atingidos pelas Obras da Copa de 2014, criada no sábado (10). A segunda-feira terá marcha da Rodoviária até o Auditório do CT Gás, onde uma audiência pública marca a apresentação do dossiê.

Às 12h, em Brasília, um ato acontece antes de o material ser protocolado em diferentes órgãos da administração pública. Neste domingo (11), a capital federal teve panfletagem sobre o tema, incluindo preocupações com a Lei Geral da Copa, que tramita no Congresso Nacional.

Com informações da Agência Brasil