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Sequência de encontros debaterá influências de maio de 1968

O Sesc promove a partir desta segunda-feira, em São Paulo, uma série de debates sobre aspectos culturais que tiveram influência da contracultura dos anos 1960
por Redação RBA publicado 06/05/2018 09h54, última modificação 07/05/2018 14h12
O Sesc promove a partir desta segunda-feira, em São Paulo, uma série de debates sobre aspectos culturais que tiveram influência da contracultura dos anos 1960
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1968

Barricada de protesto estudantil em 1968 em Bordeaux, cidade francesa

São Paulo – Maio de 1968 foi palco do movimento estudantil e trabalhista na França que ecoou de diferentes formas em todo o mundo. Esses impactos serão tema de uma série de palestras intitulado “Seminário 1968: meio século depois”, com realização do Centro de Pesquisa e Formação do Sesc. De segunda a quarta-feira (7 a 9), acadêmicos e artistas debaterão os significados do evento que abalou o regime do então presidente, Charles De Gaulle. “Como o maio de 1968 é analisado pelo filtro de 2018?”, questiona o Sesc.

“Acadêmicos que estudaram e artistas que viveram intensamente o período trarão suas múltiplas visões sobre um fenômeno que não nasce em 1968 e definitivamente não morrem naquele ano”, continua a nota da organização. Entre os convidados, o ator e diretor José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso do Teatro Oficina, a atriz e diretora Helena Ignez, o escritor e jornalista Zuenir Ventura, os professores Walnice Galvão, Leonardo Esteves, Adriane Vidal, Renato Sobral Anelli, Olgaria Mattos e Evelina Hoisel, a arquiteta Fernanda Barbara, entre outros.

Em paralelo, uma mostra de filmes que trazem para as telas a cena da contracultura dos anos 1960. Serão exibidas obras nacionais, da corrente do Cinema Novo, como o homônimo do movimento, documentário Cinema Novo (Erik Rocha, 2016), que traz um panorama sobre os maiores nomes do audiovisual na época como o pai do diretor, Glauber Rocha, além de Cacá Diegues e Nelson Pereira. Também será exibido o longa Tropicália (Marcelo Machado, 2012), que apresenta uma análise do movimento musical homônimo que conta com nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Torquato Neto.

Completam a mostra o filme o filme Violeta foi para o céu (Andrés Wood, 2012), um longa que apresenta a obra e a vida da pintora, poeta, escultora e musicista chilena Violeta Parra, por meio do romance homônimo escrito por seu filho Ángel Parra. Por fim, o filme Viver é fácil com os olhos dechados (David Trueba, 2013). A produção espanhola traz no nome uma frase da música Strawberry Fields Forever, assinada pela dupla John Lennon e Paul McCartney. Um filme de estrada que trata da contracultura e o momento político por meio da icônica banda britânica The Beatles.

As mesas

No primeiro dia de evento, a mesa de abertura será comandada por professores de história e literatura que abordarão a produção literária de 1968 “tendo como foco a literatura pop, a partir da produção literária de José Agripino de Paula; as relações entre cultura, mercado e consumo e o estatuto da literatura no Brasil da época; o ano de 1968 enquanto divisor de águas na literatura brasileira; as repercussões dos acontecimentos de 1968 na literatura latino-americana, com enfoque particular em textos produzidos pelos escritores Carlos Fuentes e Lulio Cortázar”.

Na sequência, mais duas mesas encerram o dia. A primeira trata da arquitetura de 1968. “São objeto da mesa o impacto das grandes obras rodoviaristas feitas em São Paulo a partir do final dos anos 60, tendo como exemplos mais marcantes o Minhocão e as transformações do Parque Dom Pedro II; os impactos da ditadura”, entre outros movimentos. Já a segunda aborda artes visuais.

No segundo dia, a primeira mesa traz como tema o cinema de 1968, com o auge do movimento do Cinema Novo com nomes como Hélio Oiticica, Rogério Sganzerla e Glauber Rocha. Na sequência, entra em cena um debate sobre o teatro e, para encerrar o dia, a música. “A mesa trará um balanço das lutas culturais e da arte engajada ao longo do ano de 1968, em conexão com os acontecimentos políticos que abalaram o Brasil e o mundo.”

O último dia traz um debate sobre a revolução de 1968. “A mesa abordará a revolução de 68 enquanto momento la boétiano da política francesa; o aspecto erótico, poético e lúdico de 1968, mais próximo do satanismo baudelairiano que do comunismo de Marx e da tradição dos intelectuais franceses que se colocavam a serviço dos operários e do “povo”, através do Partido Comunista”. Por fim, será debatido o legado desse movimento.

A programação com detalhes e as inscrições, está no site do Centro de Pesquisa e Formação Sesc.

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