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Documentário

A cabeça e o coração do movimento Hare Krishna no Ocidente

Documentário 'Hare Krishna! O Mantra, o Movimento e o Swami que Começou Tudo' resgata a história do mestre Srila Prabhupada e a filosofia indiana que prega a paz, o amor, a igualdade e o combate à fome
por Xandra Stefanel, especial para RBA publicado 12/05/2018 14h21
Documentário 'Hare Krishna! O Mantra, o Movimento e o Swami que Começou Tudo' resgata a história do mestre Srila Prabhupada e a filosofia indiana que prega a paz, o amor, a igualdade e o combate à fome
Fotos: Divulgação
Guru

Filme retrata o movimento que reflete sobre a igualdade, questiona consumismo desenfreado e propaga o combate à fome

Nossa missão é ver todos se tornarem felizes. Não queremos nos ver explorando ninguém para sermos felizes. Não! Nós queremos ver todos felizes. Mas eles não sabem como ser felizes.” A frase do swami indiano Srila Prabhupada resume bem a filosofia de um dos principais fenômenos culturais do século XX. São exatamente esses preceitos de paz e amor e a história deste guru que foi um dos principais responsáveis pela disseminação do movimento no Ocidente o tema do documentário Hare Krishna! O Mantra, o Movimento e o Swami que Começou Tudo, que estreou esta semana nos cinemas brasileiros.

Dirigido pelo norte-americano John Griesser, o longa-metragem apresenta a trajetória de Prabhupada que, aos 70 anos de idade, deixou a Índia rumo aos Estados Unidos com o objetivo de difundir os preceitos de Krishna, que têm como objetivo educar as pessoas para o amor ao próximo e o equilíbrio que levaria à paz na sociedade.

Em meio à turbulenta década de 1960, ele chegou em Nova Iorque em um navio cargueiro, sem recursos financeiros ou contatos, mas com uma vitalidade jovial e ensinamentos que aos poucos encantaram muitos hippies, mas também empresários e todo tipo de gente que procurava um outro sentido na vida.

George Harrison

O filme traz arquivos inéditos, gravações de áudio do próprio Prabhupada e entrevistas com seus primeiros seguidores, além de muitos registros dos anos 1960 e 1970. “As pessoas tentavam entender para que servia essa revolução [das danças e cantos a Krishna na Índia]. Era para a igualdade das almas, para entender que não somos esses corpos. Que somos irmãos e irmãs, filhos de Deus, que onde quer que haja vida, há o sagrado”, afirma o cantor Gaura Vani Buchwald, discípulo do guru.

O mantra rítmico e meditativo de 16 palavras efervesceu a cena artística e intelectual em Nova Iorque e na meca hippie de Haight-Ashbury de São Francisco, passando também pela beatlemania de Londres. Seu som e simbologia conquistaram adeptos célebres como o beatle George Harrison, que gravou o mantra com os primeiros devotos Hare Krishna em um compacto pela Apple Records.

Hare Krishna, Hare Krishna, Krishna Krishna, Hare Hare, Hare Rama, Hare Rama, Rama Rama, Hare Hare” virou um hit na Inglaterra e deu origem a um sucesso ainda maior também gravado por George Harrison. My Sweet Lord foi o que faltava para que o movimento a Krishna alcançasse o mundo todo. Foi assim que os devotos ficaram famosos por cantarem e dançarem pelas ruas, estando presentes em todos os principais grandes fatos culturais da década, festivais de música, filmes e manifestações. O longa relembra inclusive cenas de um show na Califórnia que, com o intuito de levantar fundos para o movimento, teve participação de Janis Joplin e Grateful Dead.

Além da história de Prabhupada, o filme mostra que os hare krishnas não compõem apenas um grupo místico, mas um movimento que reflete sobre a igualdade entre as pessoas, que questiona o consumismo desenfreado e propaga o combate à fome. “Eu viajei pelo mundo todo, sabe? Há tanta terra improdutiva por aí… Se produzíssemos grãos, conseguiríamos alimentar dez vezes a população atual e certamente não haveria escassez”, afirma o guru no longa-metragem que enfatiza quase que exclusivamente o lado positivo do movimento Hare Krishna.

CartazHare Krishna! O Mantra, o Movimento e o Swami que Começou Tudo
Direção: John Griesser
Codireção: Jean Griesser & Lauren Ross
Roteiro: Jean Griesser
Produção: Lauren Ross, Coralie Tapper e Jessica Heinrich
Edição: Krishna Sanchez, Lauren Ross e Hilarie Zakheim
Câmeras: Adric Watson (Índia) e Krishna Sanchez (EUA)
Produtora: Inner Voice Productions
Duração: 90 minutos