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folia no Rio

Bloco Simpatia É Quase Amor ocupa a orla de Ipanema

Cerca de 60 mil foliões, segundo os organizadores, ocuparam boa parte da orla em um animado desfile, com samba que critica a atuação do prefeito Marcelo Crivella
por Nielmar de Oliveira, da Agência Brasil publicado 04/02/2018 13h01, última modificação 05/02/2018 12h00
Cerca de 60 mil foliões, segundo os organizadores, ocuparam boa parte da orla em um animado desfile, com samba que critica a atuação do prefeito Marcelo Crivella
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Componentes do bloco que desfilou ontem usam camiseta com a frase 'Fora Crivella'

Rio de Janeiro – O bloco Simpatia é Quase Amor, um dos mais tradicionais do carnaval de rua do Rio, se apresentou neste sábado (3) na Avenida Vieira Souto, na Praia de Ipanema, na orla da zona sul da cidade, com um samba de crítica ao prefeito Marcelo Crivella.

O Samba da Adivinhação, de autoria de Manu da Cuíca, Luiz Carlos Máximo, Belle Lopez e Bil-Rait, escolhido para animar os desfiles deste ano, faz referência à relação do prefeito com o carnaval, que, segundo os organizadores do bloco, é de descaso. A música foi aprovada pelo público e viralizou na internet, com mais de 50 mil visualizações mesmo antes de ser escolhida como tema.

O bloco relatou dificuldades para montar o desfile: teve de se concentrar e armar sua estrutura em uma área menor do que a habitual, a Praça General Osório. 

“O carnaval está aí e a gente sai como pode. Evidentemente que o poder público poderia ajudar um pouco mais, mas ao contrário: só trouxe dificuldades. Este ano, resolveram nos proibir de concentrar na Praça General Osório onde nos concentramos há 34 anos”, protestou Henrique Brandão, um dos fundadores do Simpatia é Quase Amor.

Como crítica à redução de apoio da prefeitura carioca a iniciativas da cultura de matriz africana, o abre-alas do bloco trouxe, além do tradicional estandarte, um barco carregado de palmas e flores, como oferenda a Iemanjá, orixá do candomblé.

Cerca de 60 mil foliões, segundo os organizadores, ocuparam boa parte da orla em um animado desfile. Na boca dos foliões os refrões seguem firme... "Vim pro sol de Ipanema afastar assombração, de quem não sabe a diferença entre a crença e a a nossa tradição. O Simpatia é Quase Amor vem propor adivinhação...”, cantam alegre os integrantes do bloco.

“Carnaval democrático”

Alheias à polêmica, as baianas Cristina Donnini e Luiza Atedo só queriam saber de brincar e pular. Cristina, advogada, 31 anos, que é de Salvador, mas mora atualmente em São Paulo, contou por que prefere o Simpatia: “Porque é Quase Amor”, disse, com um alegre sorriso.

“Escolhemos o Rio porque é um carnaval bem democrático. E venho sempre com as minhas amigas. Aqui a gente pode descer do prédio ou da condução e brincar o carnaval, que é bastante democrático”, acrescentou Cristina.

A administradora Luiza Atedo, também baiana e moradora de São Paulo, é outra que frequenta sempre o carnaval no Rio. “O astral é de uma alegria sem igual. O povo é diferente e alegre, descontraído. E essa praia...”, disse, suspirando.

O dia de pré-carnaval

Mais de 60 blocos participaram do sábado de pré-carnaval. O dia foi aberto com a apresentação do bloco O Céu é o Limite, às 7h da manhã, em Santa Teresa, no centro do Rio. Apresentaram-se ainda o Imaginô? Agora Amassa, nas ruas do Leblon, na zona sul; O Bloco da Sá Pereira Infantil, na Rua Capistrano de Abreu, em Botafogo, também na zona sul; e o Blocão da Tijuca, na zona norte da cidade.

Na parte da tarde, saíram blocos de nomes tão distintos como irreverentes: Me Engana Que Eu Gosto, em Botafogo; Morde e Pica Toda Hora, em Jacarepaguá, na zona oeste; e Bloco das Carmelitas, na Praça Tiradentes, região central. Os dois últimos blocos a se apresentar foram os Amigos da Esquina, no Engenho de Dentro, na zona norte; e o Bloco do Rock, na Praça Tiradentes.