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Cinema

Mostra de curtas usa bom humor para tratar de temas polêmicos

28° Festival Internacional de Curtas-metragens traz a São Paulo 365 obras de 55 países. Filmes abordam temas como feminismo, refúgio, protagonismo negro, questões indígenas, entre outros
por Redação RBA publicado 24/08/2017 15h30
28° Festival Internacional de Curtas-metragens traz a São Paulo 365 obras de 55 países. Filmes abordam temas como feminismo, refúgio, protagonismo negro, questões indígenas, entre outros
Reprodução
Amazônia

'Killing Klaus Kinski', trata sobre um líder indígena da Amazônia que durante as filmagens de 'Fitzcarraldo' se ofereceu ao diretor Werner Herzog para assassinar o ator Klaus Kinski

Em tempos nos quais a intolerância está à solta, o bom humor vem em socorro dos cinéfilos para aliviar o peso dos ânimos ultimamente tão acirrados. Começa nesta quinta-feira (24), a 28ª edição do Festival Internacional de Curtas-metragens de São Paulo, que exibe até 3 de setembro 365 filmes de 55 países. Com o tema “Humor em tempos de cólera”, a mostra traz obras que usam o bom humor para tratar de temas polêmicos e isso começa já pelo cartaz, assinado pela cartunista Laerte Coutinho, que faz uma sátira sobre o ódio e a falta de tolerância.

O festival é dividido em três partes: as mostras principais Internacional, Latino-americana e Programas brasileiros; os Programas especiais, como a Mostra Infantojuvenil e a Quinzena dos realizadores; e as atividades paralelas, que incluem debates e workshops. Alguns destaques da programação são uma coletânea do coletivo Porta dos Fundos, que aborda a fé e suas implicações no mundo moderno; os filmes cômicos do escritor, jornalista e cineasta José Roberto Torero; o curta Recife Frio, de Kleber Mendonça, e o Dossiê Rê Bordosa.

Entre os filmes selecionados estão alguns curtas premiados, como o chinês Uma Noite Suave, que ganhou a Palma de Ouro em Cannes, e o português Cidade Pequena, vencedor do Urso de Ouro, em Berlim. O filme chinês dirigido por Qiu Yang apresenta uma noite na vida de uma mãe cuja filha está desaparecida, e o português, de Diogo Costa Amarante, acompanha uma perturbante revelação para Frederico, uma criança que descobre que as pessoas morrem quando o coração delas para de bater.

Muitas das obras trazem claros gritos por liberdade, outras abordam temas delicados como deslocamento, refúgio, imigração, aborto, gênero, preconceito, pessoas com deficiência, entre outros. Um exemplo é a animação Torre, de Nadia Mangolini, que revela as lembranças de infância dos quatro filhos do sindicalista Virgílio Gomes da Silva, o primeiro desaparecido político da ditadura militar brasileira. Um dos programas, o Mulheres Negras – Mergulho Ancestral e Mulheres Negras – Identidade Polfônica, traz curtas-metragens feitos por e sobre mulheres negras , além de episódios da série Empoderadas, idealizada pela cineasta paulistana Renata Martins.

Há também filmes com temática indígenas, como o brasileiro Em Busca da Terra Sem Males, de Anna Azevedo, e os colombianos Mãe Natureza, de Jorge Navas, e Killing Klaus Kinski, de Spiros Stathoulopoulos, sobre um líder indígena da Amazônia que, durante as filmagens de Fitzcarraldo, no final dos anos 1970, se ofereceu a Werner Herzog para assassinar o ator alemão Klaus Kinski.

Para a diretora do festival Zita Carvalhosa, os filmes selecionados nesta edição dizem muito sobre o momento que o país vive. “É admirável a rapidez e a inventividade do curta-metragem para detectar as questões urgentes do mundo. Nossa seleção é sempre um retrato do momento que vivemos, mas neste ano notamos uma diferença. O humor, apesar de tudo, vem com força. Utilizado não só como alívio cômico, mas uma ferramenta de reflexão e crítica, nos faz lembrar que é possível rir das situações, de nós mesmos e até do outro, mesmo em tempos de ânimos acirrados e discussões tão polarizadas”, afirma Zita.

Esta edição vai prestar homenagem ao crítico de cinema e diretor francês expoente da Nouvelle Vague, Jacques Rivette, e à Carole Roussopoulos, cineasta suíça que documentou o movimento feminista e a luta das minorias. Além de serem exibidos em 17 salas participantes do Circuito Spcine, os 355 filmes do festival estarão em cartaz em seis salas de cinema da capital paulista: no Museu da Imagem e do Som (MIS), CineSesc, na Cinemateca Brasileira, no Espaço Itaú Augusta, Cinusp, e no Centro Cultural São Paulo (CCSP). Todas as sessões são gratuitas.

28º Festival Internacional de Curtas-metragens de São Paulo
Quando: de 24 de agosto a 3 de setembro
Onde: MIS, CineSesc, Cinemateca Brasileira, Espaço Itaú Augusta, Cinusp, CCSP e Circuito Spcine de Cinema
Quanto: grátis
Mais informações: www.kinoforum.org/curtas e www.facebook.com/kinoforum