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Secretário de Doria quer Organizações Sociais na cultura e combater pancadões ‘com opções’

André Sturm pretende também levar ações culturais do Teatro Municipal para as 54 bibliotecas públicas da cidade
por Rodrigo Gomes, da RBA publicado 05/01/2017 18h49, última modificação 05/01/2017 19h35
André Sturm pretende também levar ações culturais do Teatro Municipal para as 54 bibliotecas públicas da cidade
Ricardo Bastos /Fotoarena/Folhapress
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André Strum quer que as Organizações Sociais atuem fortemente na cultura da capital paulista

São Paulo – O secretário municipal da Cultura de São Paulo, André Sturm, disse hoje (5) que a gestão do prefeito João Doria (PSDB) pretende ampliar a atuação das organizações sociais – entidades privadas que administram serviços públicos – na gestão dos equipamentos públicos de cultura, como o Centro Cultural São Paulo, bibliotecas públicas e centros culturais. “OS é uma ideia incrível que já está implementada no estado. Queremos ter o melhor do Estado, que são as políticas, com o melhor do privado, que é a gestão”, afirmou Sturm. Atualmente, apenas o Teatro Municipal é administrado por uma organização social.

Segundo o secretário, será criada uma coordenadoria para elaborar uma regulamentação à atuação das OSs nos equipamentos culturais. A expectativa é que até março esta norma esteja elaborada. Os primeiros equipamentos a serem repassados à gestão privada serão o Centro Cultural São Paulo e as 54 bibliotecas públicas da cidade.

No governo estadual, a experiência de OS na cultura tem um exemplo problemático. A OS Poiesis administra as cinco unidades das Fábricas de Cultura. No ano passado, mudanças na forma de contratação dos educadores, redução do valor da hora aula, demissões em massa e cortes nas atividades do educandos levaram os educadores contratados pela entidade a realizar uma dezena de manifestações e paralisações das unidades. Duas delas chegaram a ser ocupadas por educandos e arte educadores.

Questionado sobre sua postura quanto aos pancadões – bailes funk de rua nas periferias –, Sturm foi evasivo e não garantiu a permanência do programa da gestão do ex-prefeito Fernando Haddad (PT), de alocar os eventos em locais com horário controlado, nem declarou que irá impedir os jovens de realizá-los. Disse apenas que vai combatê-los, oferecendo “alternativas mais interessantes, mais divertidas e com diversidade para que o público jovem possa frequentar”.

Uma dessas alternativas será a realização de atividades culturais oriundas do Teatro Municipal nas 54 bibliotecas públicas. Batizado de Programa Bibliotecas Vivas, a ideia é levar concertos musicais, balé e outras atividades para a periferia. Segundo o secretário, o objetivo é “popularizar e levar os corpos do Theatro para a cidade”. “Teremos as bibliotecas abertas aos sábados e domingos, com atividades gratuitas, que chamem as pessoas para frequentar as bibliotecas da cidade. Assim, esperamos estimular também a leitura”, afirmou Sturm.

Ao dizer, porém, que o programa pretende integrar centro e periferia, Sturm usou uma frase que reacende a preocupação de que a gestão promova uma separação na cidade, iniciada com a proposta de fechar a Virada Cultural no Autódromo de Interlagos, por conta de alegados “arrastões”, que seriam promovidos pela “galera que vem da perifa”, como disse o secretário Especial de Comunicação, Fábio Santos. “Queremos que quem mora na periferia possa ficar lá e ter acesso a cultura de qualidade”, disse Sturm, sobre a proposta de levar atrações do Municipal para as bibliotecas.

Além disso, somente 20 das 54 bibliotecas estão localizadas nas periferias mais distantes do centro. No extremo sul, onde vivem cerca de 1,4 milhão de pessoas, só há uma biblioteca municipal. Na região de Jardim Ângela, Capão Redondo e Campo Limpo, são duas unidades. No total, 33 distritos dos 96 que compõem a cidade não possuem bibliotecas.

Quanto ao Teatro Municipal, Sturm disse que pretende prosseguir com a política de eventos com preço simbólico, mas que vai investir em grandes eventos comerciais com artistas brasileiros, para reduzir o custo dos espetáculos em relação aos convites a artistas estrangeiros. Além disso, o secretário pretende aproveitar a capacidade de geração de receita do espaço com a implementação de restaurantes, lojas e outras atividades comerciais.

As atividades do Municipal passarão a ser organizadas por três pessoas, além do próprio Sturm: Cleber Papa será o diretor do teatro, Roberto Minczuk será o regente principal da Orquestra Sinfônica e Ismael Ivo, o diretor do Balé da Cidade.