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conflito histórico

Exposição em São Paulo retrata trajetória de refugiados palestinos

Centro Cultural São Paulo traz fotografias e filmagens do arquivo das Nações Unidas; mostra percorre 70 anos da migração forçada e explora transformação dos personagens
por Camila Maciel, da Agência Brasil publicado 17/01/2015 17h16
Centro Cultural São Paulo traz fotografias e filmagens do arquivo das Nações Unidas; mostra percorre 70 anos da migração forçada e explora transformação dos personagens
Shareef Sarhan/ UN (07/08/2014)
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Crianças palestinas procuram por seus objetos, em casas destruídas por ataques israelenses na Faixa de Gaza, em agosto de 2014

São Paulo – A vida dos refugiados palestinos estará retratada na exposição Uma Longa Jornada, em cartaz na capital paulista a partir do próximo sábado (24), na Praça da Biblioteca do Centro Cultural São Paulo. Com fotografias e filmagens do arquivo da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (Unrwa, na sigla em inglês), a mostra apresenta registros de pelo menos 70 anos dessa migração forçada. Ainda hoje, o conflito entre palestinos e israelenses na Faixa de Gaza provoca mortes e deslocamentos. A mostra é gratuita e fica aberta até o dia 15 de março.

Quarenta fotos e cinco curtas-metragens foram selecionados para a exposição no Brasil. O projeto já esteve em cidade como Roma, Jerusalém, Nova York e Marrocos. “O tema da exposição é ajuda humanitária e o trabalho da Unrwa. Não só os programas de urgência humanitária, mas os programas de educação e saúde”, explicou Theresa Jatobá, produtora da exposição. No dia da inauguração da mostra, a Organização das Nações Unidas (ONU) fará, às 16h, o debate "Refugiados da Palestina: ajuda humanitária e o papel do Brasil”.

O projeto arquitetônico da exposição no Brasil foi desenvolvido pelo Atelier Marko Brajovic, que apoia o evento. “Tudo foi pensado para que o espectador passe por uma realidade de imersão na vida dos refugiados da Palestina. É uma instalação que foge do padrão linear mais comum de exposição”, destacou Theresa. De acordo com ela, o espaço do centro cultural permitiu que a mostra seja visualizada de cima. “É uma estrutura circular. Ela faz menção a uma flor desabrochando”, antecipou.

A produtora destacou também um dos filmes, feito a partir dos registros de George Nemeh, um dos principais fotógrafos da Unrwa, que trabalhou na agência por cerca de 40 anos. “Ele fotografou pessoas durante 40 anos e visitou as que foram fotografadas no passado. Por exemplo, um bebê, que hoje é um homem. O reencontro dele com essas pessoas é muito interessante”, explicou. Ela acredita que essa conexão entre o passado e a atualidade, por meio do trabalho da agência da ONU, vai permitir que o espectador brasileiro consiga estar mais próximo da realidade do povo árabe.

A Unrwa estima que existam 5 milhões de refugiados palestinos. A agência foi criada em 1949, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, e entrou em operação no ano seguinte. São considerados refugiados da Palestina pela agência internacional aqueles que viviam no território entre junho de 1946 e 15 de maio de 1948, antes que tivesse início o conflito árabe-israelense naquele ano.