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Diversidade e críticas a Kassab marcam Virada Cultural de São Paulo

por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual publicado 18/04/2011 15:19, última modificação 19/04/2011 14:49
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(Foto: Bete Marques/Jornada Fotográfica Virada Cultural 2011)

São Paulo – Circularam 4 milhões de pessoas durante as 24 horas da Virada Cultural, de acordo com dados da prefeitura de São Paulo. O cálculo inclui pessoas que participaram de pelo menos uma das inúmeras atrações, marcadas pela diversidade. Houve espaço para luta livre, stand comedy, desfiles de bandas de maracatu, espetáculos orientais e exibição de filmes de terror, mas o que mais atraiu a multidão foram realmente os palcos musicais em que se apresentaram grandes nomes da música brasileira, como Rita Lee, Paulinho da Viola e Erasmo Carlos, sempre acompanhados por acrobatas fazendo estripulias aéreas.

No palco do Largo do Arouche, a noite foi marcada por problemas técnicos nos shows de Ritchie e Marina Lima, a apresentadora Rita Cadillac incorporou o apresentador Chacrinha, convidou calouros para cantarem no palco e só faltou distribuir abacaxis e bacalhaus. A manhã contou com a volta da banda A Cor do Som, que fez um show impecável e diante principalmente de membros de um fã-clube chamado Mural botou todo mundo para dançar.

“Voltar se apresentar em São Paulo, em praça pública, após quase 30 anos, é uma ótima oportunidade para ver o quanto o público se recorda do nosso trabalho. Como eu moro em Salvador e o restante da banda no Rio, tivemos pouco tempo para ensaiar, então fizemos uma espécie de jam session”, comentou o vocalista e guitarrista Armandinho.

Próximo dali, o grupo de mambo e salsa Sossega Leão também voltava a se reunir após 25 anos, no palco São João, e o mestre sambista baiano Riachão, com lenço vermelho na mão e roupa branca, levava ao delírio dezenas de jovens enlouquecidos por músicas como Vá Morar com o Diabo, resgatada nos anos 1990 por Cássia Eller.

Dois encontros inusitados também deram o que falar. A banda brasileira Sepultura fez uma apresentação energética com a Orquestra Experimental de Repertório, que contou com sucessos como Roots Bloody Roots. De sobretudo preto, Paulo Miklos, dos Titãs, cantou com imenso respeito a obra de Noel Rosa e mostrou que é realmente um bom cantor para todos os estilos musicais, ao ser acompanhado pelo excelente Quinteto em Branco e Preto.

Um dos poucos momentos tensos da Virada Cultural foi a apresentação da banda norte-americana de horror punk, um subgênero do punk, Misfits, com um rapaz vestido à caráter tentando subir no palco. Também chamou atenção a garota que ficou seminua em frente ao palco da banda Beatles 4 Ever e da outra que aproveitou a deixa para dançar com a banda cover dos rapazes de Liverpool. Aliás, o quinteto, pois conta também com um tecladista, conseguiu de maneira quase heroica interpretar o repertório completo da banda, só descansando por alguns minutos entre um álbum e outro.

O mico da Virada Cultural talvez possa ser dado ao palco da Praça Julio Prestes, que abriu a programação com o show de Rita Lee, reclamando dos políticos da cidade – com ênfase para o prefeito Gilberto Kassab –, do centro abandonado e descuidado, e interpretando sucessos como Ovelha Negra, Doce Vampiro, Flagra e Banho de Espuma, acompanhada de imagens de sua trajetória desde o início com os Mutantes, projetadas no telão no fundo do palco. Até um clone de Michael Jackson deu o ar da graça. Porém, no domingo, se Frejat fez um show extremamente competente e a Blitz, de Evandro Mesquita, animou a plateia reduzida, escutar três homenagens a Cazuza com a mesma Exagerado e o show do RPM foi realmente uma missão difícil.

Além de começar o show com Vida Real, música-tema do reality show da TV Globo, Big Brother Brasil, e anunciar a volta no programa Domingão do Faustão, Paulo Ricardo, Luiz Schiavon, Fernando Deluqui e Paulo Pagni demoraram a esquentar a plateia, cantando uma música pouco conhecida do projeto “MTV Ao Vivo” e outra inédita, até engatar Louras Geladas e emendar com A Cruz e a Espada. A apresentação terminou como era mais do que esperado com Olhar 43, mas, se seguir nesse rumo, o quarteto poderá ter mais um retorno breve.

Colaboraram Jéssica Santos Souza, Letícia Cruz e Fabrício Lima

 

 

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