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Alckmin e Padilha disputam paternidade de programa de vigilância por câmeras

Petista acusa tucano de ter se apropriado da ideia de usar imagens de sistemas públicos e privados para combater criminalidade. Programa do governador informa agora que sistema está em fase de testes
por Redação RBA publicado 19/09/2014 17h42
Petista acusa tucano de ter se apropriado da ideia de usar imagens de sistemas públicos e privados para combater criminalidade. Programa do governador informa agora que sistema está em fase de testes
Paulo Pinto/ Analítica
Candidato Alexandre Padilha propõe criar de centrais de inteligência da polícia para sistematizar informações

Candidato Alexandre Padilha propõe criar de centrais de inteligência da polícia para sistematizar informações

São Paulo – A segurança pública foi o tema central esta semana dos programas dos candidatos ao governo de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB), que busca a reeleição, e Alexandre Padilha (PT). Hoje (19), mais uma vez, os dois adversários voltaram a se apresentar como quem pode oferecer os melhores sistemas de combate ao crime no estado de São Paulo.

A campanha do tucano reexibiu a propaganda veiculada na quarta (17) sobre o Detecta, um sistema inspirado no modelo nova-iorquino para reunir imagens de câmeras de vigilância nas ruas em tempo real com bancos de dados da polícia, visando a identificar atitudes consideradas suspeitas.

A campanha de Alckmin insistiu na reexibição do programa de TV por conta das críticas feitas pelos seus concorrentes Paulo Skaf (PMDB) e Padilha. Segundo revelou uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo no último dia 16, a tecnologia ainda não funcionava adequadamente, ao contrário do que alardeava propaganda do governador.

No programa de TV, a campanha tucana alegou que "em nenhum momento foi dito que o sistema já está totalmente implantado", mas que ele passa por "fase de testes". Trata-se de um esclarecimento feito após reportagens mostrarem que Alckmin apresentou como efetivo um projeto que ainda está em fase de instalação, com apenas 300 câmeras em todo o estado.

Hoje, o candidato do PMDB não retomou o assunto na TV nem no rádio. Já o petista voltou a criticar a propaganda "enganosa" que divulga o Detecta e prometeu implementar o modelo de vigilância tecnológica dos Estados Unidos e de trabalho que passou a funcionar no Brasil nas cidades que sediaram a Copa", em conjunto com a polícia. Padilha afirmou que foi ele quem trouxe a São Paulo a ideia do programa nova-iorquino, que visitou antes do começo da campanha eleitoral, e aproveitou a ocasião para acusar Alckmin de copiar outras iniciativas adotadas por governos petistas.

Voto conservador

Desde o início da campanha eleitoral, a questão da segurança pública tem provocado embates entre os três principais postulantes ao Palácio dos Bandeirantes, em busca de angariar simpatia do eleitorado paulista mais alinhado ao conservadorismo.

Além do sistema Detecta como carro-chefe, a campanha de Alckmin na TV tem exaltado o PSDB como o partido que "fez de São Paulo o estado que mais investe em segurança" e destacado a criação do Batalhões de Ações Especiais da Polícia (Baep), criados para atender a 101 municípios e apresentados como versão para o interior paulista das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar, a tropa do Comando de Choque da Polícia Militar notabilizadas por acusações de abusos em suas ações, mas defendidas ferrenhamente por Alckmin. Vale lembrar o comentário feito pelo governador após uma operação do batalhão contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) em Várzea Paulista, em 2012, que resultou na morte de nove pessoas: “Quem não reagiu, está vivo.”

O "endurecimento das leis" e a redução da maioridade penal são outras propostas que costumam aparecer tanto na campanha para a reeleição do governador, como também dos correligionários Aécio Neves e José Serra, respectivamente candidatos a presidente da República e senador.

Skaf e Padilha têm apostado na alta dos indicadores de criminalidade para tirar votos do governador. Antes do início da campanha eleitoral, o presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) havia divulgado que ele mesmo coordenaria seu programa de governo na área da segurança pública, com a colaboração de Antonio Ferreira Pinto, ex-secretário de segurança pública no governo Alckmin, e o ex-governador Luiz Antonio Fleury Filho, em cujo mandato ocorreu o “massacre do Carandiru”, em outubro de 1992.

Já o candidato petista lançou nesta semana, em São Bernardo do Campo, seu programa específico para segurança pública, no qual apresenta como propostas a instalação de câmeras nos coletes dos policiais militares do estado para monitorar as ações e coibir abusos, em especial os cometidos contra jovens negros da periferia das cidades, a criação de centrais de inteligência da polícia para sistematizar informações e investigar a integração das polícias Federal e Militar e das guardas civis municipais, que realizarão operações conjuntas e simultâneas e estudarão na mesma academia de treinamento o combate à violência contra a mulher, reestruturando as delegacias de gênero e estendendo o atendimento para 24 horas.