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Promessa do gestor

Doria deve abandonar prefeitura sem cumprir promessa de zerar fila das creches

Prefeito de São Paulo, que deixa o cargo nesta sexta-feira, não divulga balanço com as vagas na educação infantil em 2018. Na última sexta, venceu o prazo dado pelo próprio Doria para eliminar a fila
por Tiago Pereira, da RBA publicado 02/04/2018 14h01, última modificação 02/04/2018 14h17
Prefeito de São Paulo, que deixa o cargo nesta sexta-feira, não divulga balanço com as vagas na educação infantil em 2018. Na última sexta, venceu o prazo dado pelo próprio Doria para eliminar a fila
Reprodução/Facebook/João Doria
Doria

Com presença intensa nas redes sociais, Doria não se pronuncia sobre fila das creches que prometeu zerar

São Paulo – Em dezembro, quando a prefeitura de São Paulo apresentou o último balanço de vagas para os Centros de Educação Infantil (CEIs), o prefeito João Doria (PSDB) anunciou, mais uma vez, que acabaria com a fila das creches até 30 de março. Mas, expirada a data, tudo indica que a prefeitura deixou de cumprir com o prometido, já que até agora não apresentou números atualizados. No último balanço, divulgado em 28 de dezembro passado, 44.094 crianças aguardavam na fila. 

A totalização dos pedidos por vagas é atualizada trimestralmente pela prefeitura paulistana desde 2007, na gestão de Gilberto Kassab, então no DEM. 

Questionada pela RBA, a Secretaria Municipal de Educação disse que os dados mais atualizados sobre a fila das creches continuam sendo os de dezembro, e que não há prazo para a divulgação de novos números. A poucos dias de deixar o cargo para a disputa do governo estadual, Doria deve sair da prefeitura sem anunciar as vagas criadas em 2018 e, mais ainda, sem cumprir a promessa feita à população.

O vereador Toninho Vespoli (Psol) classificou como "absurda" a falta de transparência da secretaria, e anunciou que vai requerer a divulgação da fila por meio de pedido de esclarecimento, uma ferramenta regimental de uso dos parlamentares. 

A promessa de zerar a fila das creches vem desde a campanha eleitoral de 2016. Ao assumir, Doria anunciou novo prazo, até o fim de 2017 para pôr fim ao déficit de vagas para crianças de até 3 anos no município, por meio de convênios e parcerias com a iniciativa privada. Na época, ele criticou a gestão anterior, alegando que o projeto original de expansão das creches "implicava na construção de espaços físicos". A primeira aposta era na doação de espaços pela iniciativa privada – especialmente bancos, que doariam terrenos de agências fechadas. As doações não vieram, então, a prefeitura passou a acelerar convênios com creches privadas.

No início deste ano, a prefeitura chegou inclusive a matricular alunos em unidades que ainda estavam em obras. Ao longo do ano passado, salas de informática, de leitura e brinquedotecas foram desfeitas para atender a necessidade de ampliação de vagas para as crianças, sacrificando assim a qualidade do ensino.

Para o coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, a gestão Doria vem "precarizando" a rede municipal de creches, sob pretexto de ampliar as vagas, e ainda assim, não cumpre com as promessas de expansão. "Ele primeiro vai matando a qualidade, o que já é um erro. E pior, vai matando a qualidade e, de forma muito grave, não tem expandido as vagas na medida em que promete", afirmou. 

Daniel diz que a atual gestão municipal tem sido "incapaz de compreender" as questões pedagógicas que envolvem os primeiros anos da educação infantil. Segundo ele, para que as crianças recebam o cuidado necessário para o adequado desenvolvimento cognitivo, "é preciso, sim, ter equipamentos com brinquedotecas, bibliotecas, e acesso à insumos, como laboratórios".

O coordenador da campanha critica ainda a comunicação "errática" de Doria e sua equipe, baseada apenas em "bravatas" postadas em redes sociais e orientada pelo que apontam cálculos algorítmicos, e não no interesse do cidadão e nas obrigações do poder público. Ele também criticou a gestão Doria e os veículos da mídia tradicional pela excessiva atenção em ações de zeladoria urbana (asfalto, pintura e poda de árvores), em detrimento de outros setores essenciais da administração municipal, como a educação.