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São Paulo

Motoristas e pais de alunos protestam contra Doria por corte no transporte escolar

De acordo com manifestantes, 5 mil crianças estão sem sem ir às aulas por falta do transporte gratuito
por Felipe Mascari publicado 27/02/2018 14h54, última modificação 28/02/2018 07h56
De acordo com manifestantes, 5 mil crianças estão sem sem ir às aulas por falta do transporte gratuito
PASSE LIVRE/FACEBOOK
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Um grupo de mães tentou ocupar a Diretoria Regional de Ensino e a GCM usou gás lacrimogêneo para conter a ocupação

São Paulo – Motoristas e familiares de alunos que foram retiradas do transporte escolar gratuito (TEG) protestaram, na manhã desta terça-feira (27), nas zonas sul e leste da capital paulista. De acordo com eles, 5 mil crianças estão sem sem ir às aulas por falta do transporte.

Cerca de 200 pessoas estiveram presentes na manifestação da Diretoria Regional de Ensino (DRE) da Capela do Socorro. Segundo o motorista Jansen Florentino Morais, que atende crianças no TEG, aproximadamente 40 escolas estão com problemas, a maioria localizada no bairro da zona sul. 

"A DRE da Capela do Socorro é intransigente e finge que as barreiras não existem. O diretor Marivaldo Souza (do DRE da região) sempre se posicionou contra o transporte escolar gratuito e está usando seu cargo para negar o direito das crianças", afirma.

As crianças que moram a pelo menos dois quilômetros da escola, possuem algum tipo de deficiência física ou passam por algum tipo de barreira – córregos sem ponte adequada, avenidas com muito movimento ou sem sinalização, por exemplo – têm direito ao TEG. "A coisa está grave. As crianças não estão indo para a escola, porque são regiões perigosas, com mata, represa e até alagamento. Os pais não conseguem levar as crianças, então deixam de ir", explica o motorista.

Durante o ato, um grupo de mães tentou ocupar a DRE, e a Guarda Civil Metropolitana (GCM) usou gás lacrimogêneo para conter a ocupação. 

Mauricio Figueira de Freitas relata que seu filho, que possui autismo e microcefalia, não foi à escola neste ano. Ele estudava no CEU Emei Professor Roque Spencer Maciel, mas foi transferido para o colégio estadual Marcos Antonio da Costa, dois quilômetros mais distante. 

"Está mais longe e tiraram meu filho do TEG. Estamos com problema para conseguir a vaga dele (no transporte) de volta. Isso afeta muito nosso dia a dia. Ele está sentindo falta da escola, porque o irmão dele continua indo normalmente, mas ele não", lamenta o pai. "Ele precisa muito voltar estudar no CEU onde oferecem tudo o que ele necessita, do transporte à interatividade", acrescenta a mãe, Patricia Valério de Freitas.

Os familiares se reuniram com representantes da DRE e foi pedido que aguardassem até a próxima segunda-feira (5), para dar andamento ao atendimento das crianças.

O corte promovido pela gestão Doria no TEG das escolas da zona sul da capital foi denunciado no final do ano passado. Pais de alunos da rede municipal receberam comunicados informando que seus filhos teriam de ser transferidos de escola ou ficariam sem o auxílio em 2018. O comunicado informava que a transferência seria feita se houvesse vaga, mas não foi dada qualquer garantia de que os estudantes ainda teriam o transporte este ano.

Em nota, a Secretaria Municipal de Educação reafirmou que o Transporte Escolar Gratuito "atende todos os alunos que têm direito ao benefício e que as regras são as mesmas desde a criação do programa, o que já foi atestado pelo Tribunal de Contas do Município em auditoria feita a pedido dos próprios transportadores".

"A pasta informa também que está sempre aberta ao diálogo com os condutores. A Guarda Civil Metropolitana foi chamada para conter invasão de uma Diretoria Regional de Ensino por manifestantes, mas esclarece que não utilizou spray de pimenta", diz a nota.

Colaborou Rodrigo Gomes