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Por cotas étnicas na USP, estudantes e ativistas fazem nova Virada Cultural

Festival "Por que a USP não tem cotas?" espera grande presença de público – negro, periférico e alunos – para subverter a histórica exclusão social dentro da universidade
por Felipe Mascari, da RBA publicado 20/06/2017 13h01, última modificação 20/06/2017 13h24
Festival "Por que a USP não tem cotas?" espera grande presença de público – negro, periférico e alunos – para subverter a histórica exclusão social dentro da universidade
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Virada deste ano será na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), no vão da História, às 17h

São Paulo – A Universidade de São Paulo (USP) é a única instituição de ensino superior estadual que não possui cotas étnicas em seu vestibular. Segundo dados da Fuvest, em 2016 apenas 3,2% dos aprovados se declaravam negros e 0,2%, indígenas. Para reivindicar a inclusão dessas populações naquela que é considerada a mais importante universidade brasileira, é realizada hoje (20) e amanhã a 2ª Virada Cultural "Por que a USP não tem cotas?".

Segundo Laura Daltro, integrante do Núcleo de Consciência Negra e formada em Pedagogia na USP, a expectativa é lotar o espaço – este ano o festival será no chamado vão da História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) – também com pessoas que não sejam da USP. "É uma Virada que não é pensada para os universitários da USP, mas para a periferia. Se você olhar a line-up dá pra notar que são artistas famosos na periferia. A ideia é povoar a USP, nestes dois dias, como o povo preto", diz a ativista. 

Entre os artistas confirmados estão Luana Hansen, Mc Soffia, As Bahias e a Cozinha Mineira, Preta Rara, Gíria Vermelha, GOG, Rap Plus Size, Odisséia das Flores e Negotinho, Brisa Flow, Nego Max e Síntese,  DJ RM e outros nomes. Nos dois dias, as apresentações começam às 17h.

Na quinta-feira (22), será feito um ato durante reunião da Comissão de Graduação, que discutirá a aprovação das cotas nos vestibulares de 2018 e 2019. "A expectativa da reunião é positiva e esperamos que as cotas sejam aprovadas. A reitoria teve um recuo e se dispôs a colocar o tema dentro da reunião. Um ato bem cheio pode pressionar para discutir isso", comenta Laura.  O ato será em frente ao prédio da nova Reitoria, às 12h. 

A primeira edição da Virada Cultural por cotas surgiu no ano passado para pressionar o cancelamento de uma reunião da comissão que votaria contra as cotas. A mobilização foi grande e o encontro não aconteceu.

Porque a USP não tem cotas?

Para Laura, a Universidade de São Paulo sempre promoveu a exclusão social, o elitismo e o racismo, desde sua criação. "A USP existe para cumprir um papel, de ser 'a melhor' universidade do país, de escolher quem tem o direito de se formar lá. É de lá que saem grandes nomes da política brasileira", critica. "Na entrada da USP tem um pé de cana e um de café. Além da estátua do fundador, que era um escravocrata. Então, a entrada da universidade deixa claro que ela é racista", acrescenta.

Erickson Max, o Nego Max, ressalta que a adoção de cotas pela USP "não é um favor, mas é um pagamento de uma dívida histórica". "A falta de espaço para os negros na universidade é reflexo do racismo que predomina no Brasil. Não é interessante para quem está no topo da pirâmide que a gente se liberte, por isso não querem que tenhamos o conhecimento. Há uma importância muito grande de o negro estar na universidade, porque um negro empoderado, com conhecimento não é engrenagem do sistema."

Para Hertz Dias, do Gíria Vermelha, a falta de políticas raciais na USP só legitima o extermínio de negros e indígenas no Brasil. "Vamos exigir que a universidade implante as cotas e deixe de ser 'europeizada'. Vamos ocupar a USP."

Confira os horários dos shows da Virada Cultural pelas cotas na USP: