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‘Juventude tem a responsabilidade de apresentar o novo’, diz Ana Júlia

“Temos a ideia de que vivemos em uma democracia representativa, mas como um governo impopular com 4% de aprovação consegue aprovar todas as suas propostas?”, questiona em vídeo no 'Mídia Ninja'
por Sarah Fernandes, da RBA publicado 17/05/2017 17h15, última modificação 17/05/2017 17h33
“Temos a ideia de que vivemos em uma democracia representativa, mas como um governo impopular com 4% de aprovação consegue aprovar todas as suas propostas?”, questiona em vídeo no 'Mídia Ninja'
Mídia Ninja/ Reprodução
Ana Júlia

“A partir do momento que a juventude não se conforma com tantos retrocessos ela consegue participar dos meios políticos”

São Paulo – A secundarista paranaense Ana Júlia Ribeiro afirmou hoje (17) que a juventude é fundamental na luta para construir uma democracia cidadã, pois “tem consigo o sentimento de não se conformar”. A adolescente virou um marco no movimento de ocupação de escolas do ano passado contra a reforma do ensino médio de Michel Temer, após sua fala na Assembleia Legislativa do Paraná sobre as razões do movimento de ocupação nas escolas de todo o país.

“Juventude e democracia são duas coisas que estão ligadas. Temos a ideia de que vivemos em uma democracia representativa, mas na verdade ela não tem nada de representativo pelo simples fato de que um governo impopular com 4% de aprovação consegue aprovar todas as suas propostas. Como um governo sem apoio popular consegue aprovar todas as suas propostas? Não tem lógica isso. Quem nos representa hoje no Congresso e no Senado não escuta mais o que seus próprios eleitores estão falando”, disse a jovem, ao estrear coluna em vídeo no coletivo Mídia Ninja.

Em 2016, o movimento de ocupações se espalhou por escolas e universidades de 20 estados e do Distrito Federal contra a reforma do ensino médio – sancionada pelo presidente Michel Temer em 16 de fevereiro deste ano, depois de tramitar como Medida Provisória (MP) 746 – e contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55, promulgada pelo Congresso em dezembro de 2016, que restringe os investimentos sociais do governo federal, inclusive em educação, por 20 anos. O número de universidades ocupadas chegou a 171. No auge do movimento, em 28 de outubro, 1.198 escolas foram ocupadas no país, 845 só no Paraná.

A aluna do Colégio Estadual do Paraná, em Curitiba, defendeu que quem vive nas periferias, quem estuda em escola pública e quem não tem recursos não tem seu acesso à democracia garantido. “Ser cidadão é além de poder votar e ser votado. É poder construir uma sociedade e caminhar ao lado dos outros. Uma democracia pede cidadania e a cidadania, por consequência, pede juventude. A juventude tem que estar presente, pois carrega consigo a responsabilidade de apresentar o novo”, disse.

“Quando a juventude entende o processo político que estamos vivendo, as atrocidades que o governo está fazendo, ela vai para a rua e assim está construindo a cidadania. Quando a juventude percebe que não pode ficar em casa parada, que tem que ir para a rua manifestar sua indignação, essa juventude está fazendo parte do processo democrático”, disse a jovem. “A partir do momento que ela (a juventude) não se conforma com tantos retrocessos e com ameaças aos direitos fundamentais essa juventude muda e consegue participar dos meios políticos.”

Ana Júlia afirmou que os adolescentes que ocuparam suas escolas estão “tentando construir uma democracia” e ao mesmo tempo se construírem como cidadãos. “Por isso que questionamos a maneira que vivemos, onde vivemos e o que queremos viver. Esse questionamento é o principal para a construção de uma plena cidadania. Quando a gente conseguir construir essa cidadania e entender que ela está automaticamente ligada com a democracia a gente vai estar mais próximo de construir um Estado Democrático de Direito.”

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