Você está aqui: Página Inicial / Educação / 2016 / 02 / 'Reorganização disfarçada' fecha 1.363 salas de aula em São Paulo

gestão tucana

'Reorganização disfarçada' fecha 1.363 salas de aula em São Paulo

Desde o último balanço, realizado na semana passada, foi registrado aumento de 203 no número de turmas extintas
por Redação RBA publicado 25/02/2016 19:41
Desde o último balanço, realizado na semana passada, foi registrado aumento de 203 no número de turmas extintas
Rovena Rosa/Agência Brasil
ocupa.jpg

Estudantes de todo o estado rechaçaram, no ano passado, a proposta de "reorganização" de Alckmin

São Paulo – De acordo com levantamento do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), o número de salas de aula fechadas, apenas neste ano, na rede pública em todo o estado chegou a 1.363 no dia de hoje (25). O que vem sendo chamado de “reorganização disfarçada” por professores e estudantes é visto com preocupação pelo sindicato.

“Fechamento de classes e escolas não combina com qualidade da educação, mas esta não parece ser a preocupação do governo do estado de São Paulo”, afirma a Apeoesp. A capital e diversas cidades do interior tiveram salas fechadas, de acordo com o sindicato, com base em dados de 51 de suas 93 subsedes.

Apenas em Franca, no norte do estado, 45 salas foram fechadas pela gestão Geraldo Alckmin (PSDB). O balanço anterior, divulgado na semana passada, registrava o fechamento de 1.160 salas. Foram 203 turmas extintas em uma semana.

Coletivos de estudantes e professores demonstram, pelas redes sociais, indignação com o que chamam de 'reorganização disfarçada'. “Infelizmente ou felizmente não fecharam a escola Emílio Souza Penna, na zona norte de São Paulo, mas sem autorização mudaram o horário do meu filho que já era estudante desta escola. Mas quando iniciaram as aulas a surpresa: ele terá que estudar à noite em um local de difícil acesso”, relata a mãe de um estudante na página “Não fechem minha escola”, do Facebook.

A gestão de Alckmin havia apresentado no ano passado a proposta de “reorganização” do ensino. Com ausência de diálogo com estudantes, professores e comunidade, a reação veio em cadeia. Para evitar o possível fechamento de ao menos 94 escolas, jovens iniciaram um movimento de ocupação de escolas por todo o estado. No auge, foram 213 escolas. Com o apoio de entidades sindicais, artistas e de toda a sociedade civil, a intensa mobilização culminou com a queda do então secretário da Educação, Herman Voorwald, e a rejeição do processo pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.