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Para presidente da CUT-SP, repressão contra estudantes configura 'Estado tirânico'

Frente aos casos de invasões ilegais e uso da violência da PM contra escolas ocupadas contra a reorganização, entidade reafirma compromisso dos trabalhadores na garantia do direito à manifestação
por Redação da RBA publicado 02/12/2015 10h10, última modificação 02/12/2015 10h16
Frente aos casos de invasões ilegais e uso da violência da PM contra escolas ocupadas contra a reorganização, entidade reafirma compromisso dos trabalhadores na garantia do direito à manifestação
reprodução/CUT
9 Julho

Estudante é arrastada a força, em protesto que terminou com detenções ontem na Avenida 9 de Julho

São Paulo – Sobre os abusos cometidos pela Polícia Militar contra estudantes que protestam contra a reorganização do ensino estadual paulista, e a "declaração de guerra" por parte do governo Alckmin ao movimento, o presidente da CUT-SP, Douglas Izzo, afirmou tratar-se de ações de um "Estado tirânico", e acusou o chefe de gabinete da secretaria de Educação, Fernando Padula, de promover a "barbárie", incitando a violência no interior das unidades ocupadas.

"A CUT, junto com o movimento estudantil e demais movimentos socais, estará ao lado dos estudantes para garantir que o direito de manifestação e o direito de questionamento sobre os rumos da educação no estado", garantiu Douglas, em entrevista ontem (1º) ao Seu Jornal, da TVT.

O dirigente voltou a reivindicar a saída de Padula, bem como do titular da pasta de Educação, Herman Voorwald, também expressa em manifesto divulgado na segunda-feira (30), pelo Fórum dos Movimentos Sociais do Estado de São Paulo, que reúne cerca de 50 organizações de todo o estado.

"Se esse governo tiver algum compromisso com o povo de São Paulo, tem que demitir esses senhores que estão promovendo a violência no interior das unidades escolares”, declarou Izzo.

Douglas, que também é professor efetivo da rede estadual denunciou que, desde que o governo Alckmin decidiu reprimir a mobilização dos estudantes secundaristas, grupos armados estão invadindo as unidade escolares ocupadas, como o ocorrido em uma unidade em Osasco, além de inúmeros outros casos em todo o estado, denunciados desde domingo (29).

O presidente da CUT-SP e diretor do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) questionou a atuação da Polícia Militar: "Mais estranho ainda é a Polícia, que chega no local onde estão acontecendo essas violências por bandidos não identificados e não toma nenhuma providência".

Douglas denunciou também que, na noite de ontem, no momento em que era realizada a entrevista, novos atos de violência eram cometidos pelas forças policiais contra estudantes que protestavam na avenida 9 de Julho, centro da capital paulista, culminando com a prisão da presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), Camila Lanes, e mais quatro estudantes.

Para Douglas, fica cada vez mais claro a falta de disposição ao diálogo por parte das autoridades estaduais. "A partir de setembro, foram várias manifestações públicas, em pequenas e grandes cidades, onde os alunos e a comunidade escolar se colocaram contra a reorganização. Agora, as ocupações. E o governo se faz de surdo. Não ouve, não dialoga."

Frente ao anúncio de fechamento de 92 unidades de ensino e a transferência de 311 mil alunos, Douglas afirmou que a reorganização "vai piorar o que já não está bom", causando superlotação nas demais escolas, o que, segundo ele, compromete a qualidade do ensino.

O presidente da CUT afirma que outra medida associada à reorganização que traz prejuízo aos estudantes, em especial os que trabalham, é o fechamento do ensino médio noturno em diversas unidade.