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Estudantes que ocuparam escolas em SP são entrevistados na TV Brasil

por Fernanda Cruz, da Agência Brasil publicado 21/12/2015 17h58, última modificação 21/12/2015 18h19
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Segundo os adolescentes, as ocupações foram inspiradas na Revolta dos Pinguins, do Chile

São Paulo – Alunos que ocuparam as escolas contra a reorganização escolar são os entrevistados de hoje (21), às 23h, do programa 'Brasilianas.org', na TV Brasil. O projeto do governo estadual levaria ao fechamento de 94 escolas no estado de São Paulo, mas foi revogado após protestos e ocupações dos estudantes.

Segundo os adolescentes, as ocupações foram inspiradas na Revolta dos Pinguins do Chile. Os alunos traduziram uma cartilha chilena com orientações sobre como ocupar e manter as unidades e também sobre como se deve dividir as atividades internas em comissões.

Luana Narde, aluna do 1º  ano da Escola Estadual Fernão Dias Paes, segunda escola a ser ocupada, lembrou que o ato teve início durante uma aula. “Chegamos lá, fechamos e permitimos apenas a entrada de alunos. Era dia de aula comum”, disse Luana. “Eu não tinha conhecimento de que Diadema (São Paulo) estava ocupada, fui saber muito depois. Acabou com começou esse movimento muito massivo, que foram mais de 300 escolas ocupadas.”

Guilherme Botelho, estudante do 2º ano da Escola Estadual Oscavo de Paula e Silva, disse que enfrentou grande revolta de alguns pais que eram contra as ocupações. No entanto, esses mesmos pais, quando conheciam as reivindicações e os ideais do movimento estudantil, mudavam de opinião. “Mostramos para os pais que não queremos, em nenhum momento, prejudicar os filhos deles. Estamos lutando por uma educação de qualidade.”

Além da resistência inicial de pais e mães, Nicole dos Santos Oliveira, aluna do 3º ano da Escola Estadual José Lins do Rego, disse que enfrentou problemas com a polícia. “Sábado ocorreu um conflito dentro da escola, e eu liguei para a minha mãe”, disse. “Os policiais queriam fechar o portão com os alunos dentro”, lembrou. Os estudantes tiveram a preocupação de registrar que as escolas estavam sendo bem cuidadas, por receio de serem responsabilizados por eventuais danos provocados de forma intencional por terceiros.

De acordo com Nicole, a reorganização escolar poderia elevar o número de alunos por sala, mesmo com a superlotação que já existe na instituição que frequenta, a José Lins do Rego. “Com a reorganização, ia dificultar ainda mais. Sem a reorganização, já tem uma lista de espera (para novas matrículas), imagina fechando essas escolas”, disse ela.

Para Luana, a pauta inicial do movimento, a reorganização escolar, foi ampliada. Os alunos reivindicam, agora, melhoria no ensino e redução do número de alunos em sala de aula. Além disso, Luana espera conseguir aumentar o diálogo com a direção da unidade onde estuda, a Fernão Dias. “É uma escola muito rígida, é quase uma ditadura entre as paredes da escola. Nós não tínhamos voz para fazer alguma mudança, éramos reprimidos”, afirmou.