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Para professores, separar alunos por ciclo de ensino não vai melhorar educação

Proposta do governo Alckmin de unificar escolas em ciclo único de aprendizado vai forçar a transferência de milhares de estudantes em 2016
por Rodrigo Gomes, da RBA publicado 24/09/2015 11:52, última modificação 24/09/2015 13:45
Proposta do governo Alckmin de unificar escolas em ciclo único de aprendizado vai forçar a transferência de milhares de estudantes em 2016
Prova Brasil/CC
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Proposta não resolve problemas da educação. Professores reivindicam salas com menos alunos

São Paulo – Os professores paulistas consideram que a mudança anunciada pelo secretário estadual da Educação, Herman Voorwald, de separar totalmente os alunos das escolas estaduais por ciclo – fundamental I, fundamental II e médio – não trará benefício para estudantes, professores ou famílias, ao contrário. “Isso é exatamente o que fez a ex-secretária Rose Neubaeur, em 1995, causando vinte mil demissões de professores, professores adidos (que ficaram sem aulas em suas escolas), desorganização e transtornos às famílias dos estudantes e uma série de outros prejuízos à educação pública estadual”, avaliou em nota a Apeoesp, sindicato da categoria.

A medida foi anunciada pelo secretário na terça-feira (22), em entrevista ao telejornal Bom Dia São Paulo, da Rede Globo. “O movimento é para que escolas de três ciclos não existam mais e se aumentem as de ciclo único. A mãe que tem um filho de sete, oito anos tenha tranquilidade para que ele esteja em escola com crianças da idade dele”, afirmou Voorwald. O secretário também justificou que com esse modelo “o aprendizado ocorre melhor, a formação do professor ocorre melhor”.

Para os docentes, no entanto, o resultado deve ser o oposto. “Não há nesta reorganização nenhuma preocupação pedagógica. Ela é uma mudança física, descolada de um verdadeiro projeto educacional. Vai desorganizar a rede pública. A secretaria, se estivesse de fato preocupada com a qualidade do ensino, valorizaria os profissionais do magistério, resolveria os problemas estruturais das escolas, estabeleceria a gestão democrática na formulação e implementação do projeto político-pedagógico, asseguraria condições de trabalho aos professores e de aprendizagem aos estudantes”, defendeu a Apeoesp.

Os educadores temem também que ocorra um novo processo de fechamento de classes, desempregando ainda mais professores. No início deste ano foram fechadas pelo menos 3.390 salas de aula no estado. E muitas escolas iniciaram o ano letivo com até 60 estudantes por classe, em turmas do ensino regular, e até cem estudantes por classe em turmas da Educação de Jovens e Adultos (EJA), segundo o sindicato.

Apesar dessa crise de superlotação no início do ano, o secretário Voorwald afirmou ao telejornal global que o estado de São Paulo tem 2 milhões de vagas ociosas. “O momento é absolutamente apropriado para isso porque houve redução de dois milhões de alunos na rede, a estrutura física que foi preparada há mais de 20 anos para receber 6 milhões de alunos em um processo de universalização, hoje, por conta da queda na taxa de natalidade viabiliza que eu tenha escolas ociosas. A rede foi desenvolvida para absorver até 6 milhões de alunos, hoje tem 4 milhões”.

São Paulo tem hoje 5.108 escolas, das quais 1.443 são de ciclo único, outras 3186 mantêm dois ciclos e 479 escolas têm três ciclos. Essas últimas devem ser transformadas em escolas de ciclo único, assim como grande parte das de dois ciclos.

Porém, os professores reivindicam que essa estrutura seja otimizada para propiciar a redução do número de alunos por sala. “No nosso entendimento, o correto é que se reduza o número de alunos por classe, em benefício da qualidade do ensino”, defendeu a Apeoesp. Eles defendem que o número máximo de alunos por classe seja de 20, em qualquer dos ciclos.

Os docentes reclamam ainda que, da mesma forma que a proposta para o Plano Estadual da Educação apresentada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) à Assembleia Legislativa, esta medida foi anunciada “sem nenhuma discussão prévia com a comunidade escolar, com a Apeoesp e demais entidades ou com outros setores sociais”.

A proposta pode estar relacionada a dois pontos propostos no Plano Estadual da Educação: a transferência do ensino fundamental para os municípios (meta 21) e a reformulação do ensino médio para um sistema em que os estudantes possam escolher as matérias que vão estudar. Com as escolas tendo somente um tipo de ciclo, a implementação dessas medidas seria facilitada.

Amanhã (25), os professores paulistas vão realizar uma assembleia na Praça da República, centro de São Paulo, para iniciar uma campanha contra essa proposta.

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