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corte de pagamento

Greve de professores de escolas indígenas chega a duas semanas em São Paulo

Secretaria Municipal de Educação afirmou que o corte ocorreu por problemas na prestação de contas da organização não governamental que administra as escolas
por Sarah Fernandes, da RBA publicado 02/08/2015 11h01
Secretaria Municipal de Educação afirmou que o corte ocorreu por problemas na prestação de contas da organização não governamental que administra as escolas
Jailton Garcia/ RBA
Escolas indígenas

Na escola, crianças participam de oficinas lúdicas de produção de cachimbo Guarani com argila e bambu

São Paulo – Professores e funcionários de dois dos três Centros de Educação e Cultura Indígena (Cecis) da capital paulista estão há duas semanas em greve pelo fato de o pagamento dos salários dos trabalhadores ter sido interrompido há três meses. A Secretaria Municipal de Educação afirmou, em nota, que o corte ocorreu por “problemas técnicos” e por uma prestação de contas incompleta da organização não governamental que administra as escolas, chamada Opção Brasil.

A ONG, por sua vez, afirmou via assessoria de imprensa que realizou uma reunião na tarde de sexta-feira (31) com representantes da Diretoria de Ensino Capela do Socorro, na zoa sul da cidade, e que os pagamentos devem ser normalizados até o próximo final de semana. Os indígenas reivindicam uma reunião com representantes da Diretoria de Ensino e ameaçam realizar protesto nesta próxima semana em frente à Secretaria de Educação Municipal, para exigir uma reunião com o secretário da pasta, Gabriel Chalita.

“A maioria dos funcionários, sejam educadores, coordenadores pedagógicos e o pessoal da segurança e da cozinha, estava com salários atrasados, sem receber há três meses”, afirmou uma das lideranças indígenas Jera Guarani. “A ONG passa o problema para a diretoria de ensino, que devolve para a ONG. Decidimos então paralisar as atividades para exigir uma providência.”

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Estão em greve os Cecis da aldeia Tenonde Porã, com 134 crianças e 11 professores, e da aldeia Krukutu, 44 estudantes e sete educadores, ambas na zona sul da cidade. Na aldeia do Jaraguá, na zona norte, que conta com 113 alunos e dez professores, as atividades continuam normalmente. As instituições de educação infantil indígena completaram dez anos em 2014 e têm a proposta de reafirmar e fortalecer a cultura dos índios de São Paulo, em atividades que proporcionem um intercâmbio diário e constante entre a cultura branca e a guarani, seja pela escrita, pela música, pelos desenhos ou pelo uso da internet.

De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, a ONG Opção Brasil recebe repasses mensais das Diretorias Regionais de Educação Capela do Socorro e Pirituba para o pagamento dos professores indígenas, compra de material didático e de comidas típicas, pagamento de pessoal e formação dos professores.

“Recentes problemas técnicos originados por prestação de contas incompletas da ONG impediram, por força de lei, que os repasses fossem feitos na sua totalidade. A Diretoria Regional de Educação Capela do Socorro tem realizado constantes reuniões com a ONG, junto à Secretaria Municipal de Educação, a fim de que o problema seja solucionado o mais rapidamente possível”, diz nota.