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Setor estratégico

É preciso resistir a 'ato de traição', diz Marinho sobre Embraer

A venda seria, afirmou Marinho, "mais um crime desse consórcio do PSDB e do PMDB". Para ex-ministro Celso Amorim, questão é importante demais para ser discutida por um governo "ilegítimo e agonizante"
por Vitor Nuzzi, da RBA publicado 05/06/2018 19h51, última modificação 05/06/2018 19h53
A venda seria, afirmou Marinho, "mais um crime desse consórcio do PSDB e do PMDB". Para ex-ministro Celso Amorim, questão é importante demais para ser discutida por um governo "ilegítimo e agonizante"
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Marinho: 'se não fosse o investimento público pesado, nós teríamos construído Petrobras, Embraer, CSN, entre outras?'

São Paulo – Qualquer negociação que envolva a Embraer é uma questão importante demais para ser tratada por um governo "ilegítimo e em fim de mandato" como o de Temer, disse nesta terça-feira (5) o ex-ministro Celso Amorim, em debate em São José dos Campos, no interior paulista. Para ele, trata-se de um governo "agonizante", sem autoridade para discutir questões estratégicas. "É preciso que São José seja um centro de resistência a esse entreguismo desvairado que tomou conta do Brasil", afirmou. 

O presidente do PT no estado de São Paulo, Luiz Marinho, pré-candidato ao governo paulista, também falou em entreguismo. "Eu só posso classificar isso como um grande ato de traição", criticou, sobre possíveis negociações envolvendo a Embraer e a norte-americana Boeing, interessada na companhia brasileira. Marinho lembrou de conversas envolvendo a própria Boeing quando ele era prefeito de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, e o governo brasileiro discutia compra de caças – a escolha acabou recaindo sobre o modelo Gripen, da Suécia. Segundo ele, a pior entre as três propostas apresentadas foi justamente a da Boeing.

Marinho destacou a questão nacional no debate. "Se não fosse o investimento público pesado, decisão de estado, decisão de governo, nós teríamos construído Petrobras, Embraer, CSN, entre tantas outras? Outra pergunta: se é tão bom esse negócio com a Boeing, porque nós não escolhemos o caça da Boeing para a Aeronáutica comprar?", questionou, lembrando ter dito na ocasião aos representantes das empresa norte-americana que ela estava interessada na "inteligência e juventude" da Embraer, "porque a engenharia da Boeing está envelhecida". A venda seria, afirmou, "mais uma trairagem, mais um crime desse consórcio do PSDB e do PMDB", considerando a legenda tucana "o principal partido de sustentação do golpe".

Tanto Amorim como Marinho refutaram um dos argumentos da Boeing, de "projetar" a Embraer globalmente, afirmando que a empresa brasileira já tem projeção mundial. "É uma empresa orgulho do país, de alta tecnologia, reconhecida no mundo", disse o diplomata. Em caso de venda, lembrou, "quem vai controlar, em última instância, é a Boeing, que vai determinar que tecnologia a Embraer pode usar e que não pode".

Ele lembrou ainda que se trata de empresa "muito ligada ao Pentágono" e que, assim, "não vai permitir que você tenha liberdade de utilizar a tecnologia da maneira que achar que deve". Amorim observou que um item importante na escolha do Gripen "é que eles, a Saab (fabricante) e o governo sueco, permitem a transferência do sistema de armas", o que não seria possível com a companhia norte-americana. "É uma empresa central para o desenvolvimento tecnológico brasileiro", acrescentou, referindo-se à Embraer.

Marinho também destacou o fato de a Boeing ser fornecedora do Pentágono. "Como pode agora o desgoverno brasileiro, num fim de feira danado, autorizar uma negociação dessa? Isso é inaceitável, beira a um crime contra o povo brasileiro", criticou o petista, falando em "perda de inteligência" e de emprego para os norte-americanos. Para ele, a ideia faz parte de um processo de desmonte que envolve também a Petrobras. Ele criticou diretamente o PSDB, que governa São Paulo há 24 anos e não mostra, afirmou, competência para realizar qualquer planejamento e solucionar "gargalos" em nenhuma área.

Diretora do Sindicato dos Metalúrgicos de São José e trabalhadora na Embraer, Marina Sassi afirmou que as decisões precisam ser democratizadas no país. "É preciso retomar o projeto estratégico da Embraer", disse, lembrando que a empresa é uma fabricante de aviões e não uma montadora. Marina também defendeu o fim da terceirização na companhia. "É necessário uma empresa que tenha um projeto de país."

O debate foi iniciativa dos dos vereadores Amélia Naomi, Juliana Fraga e Wagner Balieiro (PT), com o apoio do Psol e da subsede da CUT no Vale do Paraíba.