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Estável

PIB do primeiro trimestre tem leve alta, sustentado pela agropecuária

De modo geral, os resultados refletem um ritmo lento da economia, em choque, principalmente, com o discurso ufanista do governo Temer. Para Marcio Pochmann, paralisação dos caminhoneiros terá impacto
por Redação RBA publicado 30/05/2018 09h30, última modificação 30/05/2018 10h51
De modo geral, os resultados refletem um ritmo lento da economia, em choque, principalmente, com o discurso ufanista do governo Temer. Para Marcio Pochmann, paralisação dos caminhoneiros terá impacto
Rodrigo Czekalski/Divulgação DAF/Arquivo ANPr
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Indústria 'anda de lado' com ausência de políticas para o setor sob o governo Temer, que privilegia commodities agrícolas

São Paulo – O Produto Interno Bruto (PIB), soma das riquezas do país, variou 0,4% no primeiro trimestre em comparação com o último período de 2017, informou nesta quarta-feira (30) o IBGE. Novamente, o resultado foi determinado pelo agropecuária. Em relação ao primeiro trimestre do ano passado,  houve alta de 1,2%. Em 12 meses, de 1,3%. De modo geral, os resultados divulgados hoje refletem um ritmo lento da economia, em choque, principalmente, com o discurso ufanista do governo. Em valores correntes, o PIB somou R$ 1,641 trilhão.

Entre os setores, a indústria ficou praticamente estável em relação ao quarto trimestre, com 0,1% e cresceu 1,2% na comparação com o primeiro período de 2017. Os serviços variaram 0,1% e 1,5%, respectivamente. A agropecuária foi a principal responsável pelo crescimento trimestral, com 1,4%, mas caiu 2,6% ante igual período do ano passado.

Ainda do quarto trimestre de 2017 para o primeiro de 2018, a indústria (0,1%) teve alta de 2,1% em eletricidade/gás, água, esgoto e limpeza urbana e de 0,6% na área extrativa-mineral. Caiu 0,4% na indústria de transformação e 0,6% na de construção.

Na comparação com o primeiro período do ano passado, a indústria de transformação cresceu 4%, com influência da produção de bebidas, móveis, máquinas e equipamentos, papel/celulose, metalurgia, veículos e equipamentos de informática. A construção caiu 2,2% e o setor extrativo-mineral recuou 1,9%.

Segundo o IBGE, o consumo das famílias aumentou 2,8% na comparação com o primeiro trimestre de 2017. Em relação ao último período, subiu 0,5%. O consumo do governo caiu 0,8% e 0,4%, respectivamente.

A taxa de investimentos foi de 16%. E a taxa de poupança correspondeu a 16,3% do PIB. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), indicador de investimentos, subiu 0,6%, do quarto trimestre de 2017 para o primeiro deste ano. Cresce 2,8% em relação a igual período do ano passado. Em 12 meses, recua 0,1%.

O instituto revisou alguns resultados do ano passado. O PIB variou 0,2% (em vez de 0,1%) do terceiro para o quarto trimestre e 0,3% (e não 0,2%) do segundo para o terceiro. No primeiro, a alta passou de 1,3% para 1,1%.

O economista Marcio Pochmann, presidente da Fundação Perseu Abramo, observou que mesmo com a queda nos juros "a taxa de investimento desacelerou, sem impacto relevante no gasto das famílias". Ele destaca o impacto do movimento dos caminhoneiros para a economia.

"O conjunto de prejuízos imposto pela paralisação dos combustíveis nas atividades produtivas derruba a expectativa de aumento no PIB no segundo trimestre de 2018, apontando para a sequência da estagnação econômica com elevado desemprego, pobreza e desordem nas finanças públicas", avalia.

O chamado "mercado" tem revisado para baixo as expectativas do PIB de 2018. As projeções começaram com 3% e agora estão em 2,5% ou até menos.