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Retomada?

São quase 28 milhões querendo trabalho. E 4,6 milhões desistiram

País tem número recorde de pessoas fora do mercado ou com jornada inferior à que gostariam. E o desalento aumentou
por Redação RBA publicado 17/05/2018 12h08, última modificação 17/05/2018 12h41
País tem número recorde de pessoas fora do mercado ou com jornada inferior à que gostariam. E o desalento aumentou
Reprodução
desemprego

Apesar do discurso otimista do governo, dados do mercado de trabalho demonstram que situação segue ruim

São Paulo – O número de desempregados e subtilizados no Brasil atingiu 27,7 milhões no primeiro trimestre, número recorde no segundo caso, diz o IBGE. A chamada taxa de subutilização, de 24,7%, também é a maior da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, iniciada em 2012. Os subutilizados são aqueles que cumpriam jornada inferior a 40 horas e gostariam de trabalhar mais horas e incluem ainda pessoas que não estavam ocupadas e nem desocupadas, mas tinham potencial de mão de obra.

Os dados, divulgados nesta quinta-feira (17) pelo IBGE, chocam-se com o discurso do governo de retomada da economia e do emprego. Outro informação do instituto aponta aumento do desalento, que é a desistência do trabalhador de procurar emprego. Os desalentados somaram 4,6 milhões no primeiro trimestre, também o maior número da série, 4,1% da força de trabalho. Eram 4,3 milhões no último trimestre do ano passado. Outra pesquisa, referente a São Paulo, mostra que o tempo de procura por trabalho dobrou.

No primeiro trimestre de 2016, antes do impeachment, a taxa de desalento era de 2,7% da força de trabalho, para os atuais 4,1%. E a taxa total de subtilização era de 19,3% – agora, é de 24,7%.

Ainda no primeiro trimestre, a taxa nacional de desemprego, calculada em 13,1%, subiu em todas as regiões em relação ao último período de 2017. Houve queda na comparação anual. A maior foi apurada no Nordeste: 15,9%. A menor foi a do Sul, 8,4%. Chegou a 10,5% no Centro-Oeste, 12,7% na região Norte e 13,8% no Sudeste. 

Entre as unidades da federação, as maiores taxas foram apuradas no Amapá (21,5%), Bahia (17,9%), Pernambuco (17,7%), Alagoas (17,7%) e Maranhão (15,6%). E as menores, em Santa Catarina (6,5%), Mato Grosso do Sul (8,4%), Rio Grande do Sul (8,5%) e Mato Grosso (9,3%).

No maior mercado de trabalho do país, São Paulo, a taxa também ficou acima da média nacional, atingindo 14%, com estimados 3,513 milhões de desempregados. São 334 mil a mais em três meses, crescimento de 10,5%. 

Já as taxas de subtilização foram maiores em estados do Nordeste: Bahia (40,5%), Piauí (39,7%), Alagoas (38,2%) e Maranhão (37,4%). As menores, segundo o IBGE, foram em Santa Catarina(10,8%), Rio Grande do Sul (15,5%), Mato Grosso (16%) e Paraná (17,6%). 

A pesquisa mostra ainda recuo do emprego formal. No primeiro trimestre, 75,4% dos empregados no setor privado tinham carteira assinada, 1,2 ponto percentual a menos que em igual período do ano passado. Dos trabalhadores domésticos, os com carteira passaram de 31,5% para 30%. 

Maioria da população brasileira (52,4%), as mulheres são minoria entre os ocupados. A pesquisa do IBGE mostra predominância dos homens (56,5%), em todas as regiões, principalmente no Norte (60,3%).