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Sob Temer, 'recuperação' do mercado se dá com informalidade e desemprego recorde

Média anual de desempregados dobrou em três anos, após 2017 registrar maior taxa da série histórica. Em 12 meses, país criou vagas, mas nenhuma com carteira assinada
por Redação RBA publicado 31/01/2018 11h48
Média anual de desempregados dobrou em três anos, após 2017 registrar maior taxa da série histórica. Em 12 meses, país criou vagas, mas nenhuma com carteira assinada
IBGE
desemprego

Taxa média de desemprego foi recorde no ano passado e atingiu 12,7%. Menos vagas com carteira e mais ocupações informais

 São Paulo – A "recuperação" anunciada pelo governo para o mercado de trabalho em 2017 ocorreu por meio do emprego informal, caracterizado por insegurança e menor remuneração. No trimestre encerrado em dezembro, a taxa média de desemprego foi de 11,8% (12,3 milhões de desempregados), estável em relação igual período do ano anterior (12%), de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-C), divulgada hoje (31) pelo IBGE. São 1,8 milhão de ocupações a mais em 12 meses – nenhuma com carteira assinada. Já a média do ano registrou a maior taxa de desemprego da série histórica, iniciada em 2012: 12,7%.

Consideradas as médias anuais, o país fechou 2017 com 13,2 milhões de desempregados, quase 6,5 milhões a mais em relação a 2014, crescimento de 96,2%. A taxa de desemprego passou de 6,8% para 12,7%. O número de trabalhadores com carteira assinada caiu, nesse período, de 36,6 milhões para 33,3 milhões, ou menos 3,3 milhões. Apenas no ano passado, a perda foi de quase 1 milhão de vagas formais.

Segundo o instituto, as atividades que mais perderam empregos nestes três anos foram agricultura (-10,4%), indústria (-11,5%) e construção (-12,3%). "Parte desses postos foi compensada em grupamentos que têm um processo de inserção mais voltado para a informalidade, como comércio, outros serviços e alojamento e alimentação", analisa o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo.

Em relação a dezembro de 2016, a ocupação cresceu 2%, o correspondente a um acréscimo de 1,846 milhão de postos de trabalho. Mas o emprego com carteira caiu também 2%, fechando 685 mil vagas. O emprego com carteira aumentou 5,7% (mais 598 mil) e o trabalho por conta própria subiu 4,8%, com mais 1,070 milhão. Os dados mostram que o aumento da ocupação no ano passado se deu pela informalidade.

O rendimento médio (R$ 2.154) no último trimestre do ano passado ficou estável em relação tanto ao período imediatamente anterior como a 2016, de acordo com o IBGE. A média anual mostra rendimento de R$ 2.141, com alta de 2,4% sobre 2016 e estabilidade na comparação com 2014.

"Além da inflação baixa registrada em 2017, a saída de pessoas com rendimentos mais baixos deveria elevar a média do rendimento, mas, como também houve queda entre as populações que ganham mais, o rendimento em 2017 ficou no mesmo patamar do de 2014", diz Cimar Azeredo.