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Petroleiros: acordo de R$ 10 bilhões com investidor dos EUA atende 'deus mercado'

Presidente da Petrobras, Pedro Parente, propôs ressarcir investidores que compraram ações da empresa brasileira nos Estados Unidos
por Redação RBA publicado 04/01/2018 09h21
Presidente da Petrobras, Pedro Parente, propôs ressarcir investidores que compraram ações da empresa brasileira nos Estados Unidos
Reprodução
Wall Street

"Petrobras deixa de pagar ao governo para pagar ao mercado financeiro americano", diz a FUP

São Paulo – Nesta quarta-feira (3), a Petrobras divulgou que propôs um acordo de quase R$ 10 bilhões (exatos R$ 9,62 bilhões, ou US$ 2,95 bilhões) para ressarcir investidores que compraram ações da estatal nos Estados Unidos – a Justiça norte-americana precisa aprovar a "operação". Se efetivado, o acordo encerrará as ações contra a companhia nos tribunais daquele país.

Em nota intitulada "Ao Deus Mercado, tudo", a Federação Única dos Petroleiros (FUP) critica duramente o acordo com investidores americanos, acionistas e detentores de títulos da estatal e afirma que a iniciativa objetiva satisfazer unicamente os interesses do capital privado e da especulação financeira.

"Por que a Petrobras está pagando um valor maior do que aquele que ela mesma reconheceu como desviado pela corrupção?", questiona a FUP. "O mercado está aproveitando o momento e usa a Lava Jato, que, disfarçada com o combate à corrupção, dá oportunidade a esse tipo de extorsão. Afinal a quem a atual gestão atende?"

De acordo com os petroleiros, ao mesmo tempo em que a atual gestão da Petrobras "paga fácil para o mercado americano valores questionáveis, tenta renegociar a dívida interna tributária com o governo federal, ou seja, deixa de pagar dinheiro ao governo (brasileiro) para pagar ao mercado financeiro americano".

A FUP afirma que as decisões do presidente da companhia, Pedro Parente, vão na contramão dos interesses da indústria nacional para apoiar e beneficiar os fundos financeiros americanos. "O que aconteceu hoje reforça e fornece mais elementos que aumentam a percepção e geram desconfianças sobre a possibilidade de existência de conflitos de interesse e tráficos de influência na companhia e no seu plano de privatizações."

A federação cita o professor de Ciência Política e Economia na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) William Nozaki, que, em texto publicado na revista CartaCapital, afirma que "a despeito de alardear a eficiência de seu novo programa de governança, compliance e de seus testes de integridade para a nomeação do alto escalão da companhia (background check), é no mínimo curioso notar que parte dos diretores e conselheiros da Petrobras permanece atuando ou atuou em segmentos empresariais diretamente interessados no desmonte da Petrobras, com destaque para conexões que deságuam no setor financeiro".