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Bandeiras

Petroleiros exigem a renúncia de Parente da presidência da Petrobras

Para FUP, luta contra a privatização da Petrobras está diretamente ligada à derrubada de Temer e à renúncia do presidente da empresa, por ilegitimidade, destruição do patrimônio e interesses escusos
por Redação RBA publicado 24/05/2017 13h13
Para FUP, luta contra a privatização da Petrobras está diretamente ligada à derrubada de Temer e à renúncia do presidente da empresa, por ilegitimidade, destruição do patrimônio e interesses escusos
Marcelo Camargo/Agência Brasil
Parente e Temer

FUP: 'Derrubada de Temer e renúncia de Pedro Parente mobilizam categoria nas ruas e nas nossas lutas diárias'

São Paulo – A Federação Única dos Petroleiros (FUP) enviou uma carta ao presidente da Petrobras, Pedro Parente, nesta quarta-feira (24), na qual exige sua renúncia do cargo. A entidade também quer que todos os integrantes do Conselho de Administração e da Diretoria Executiva da empresa renunciem. A carta foi aprovada um dia antes, por unanimidade, pelo Conselho Deliberativo da federação, formado por representantes dos 13 sindicatos filiados.

Os petroleiros consideram que há três razões para a renúncia de Parente: ilegitimidade na origem, destruição do patrimônio público e interesses escusos. “Não bastasse o sentido ilegítimo dessa administração, com o superficial pretexto de conter o endividamento da Petrobras, esse coletivo vem agindo com a clara intenção de destruir a empresa”, afirma o documento, que aponta para "a incapacitação técnica" da gestão de Parente e a responsabiliza pela "alienação patrimonial por preços irrisórios" e pela estratégia de "apequenamento da Petrobras".

No documento, a FUP afirma que “o entendimento dos petroleiros é de que a luta contra a privatização da Petrobras está diretamente ligada à derrubada de Temer e à renúncia do presidente da empresa, Pedro Parente”. Essas são as bandeiras que mobilizam a categoria, ressalta a entidade, “tanto nas ruas, como nas nossas lutas diárias, buscando o apoio da sociedade para que aconteça nos próximos dias”, diz o coordenador José Maria Rangel.  

A entidade destacou ainda os interesses por trás da gestão de Parente à frente da estatal. “As recentes revelações, à luz da crise atravessada pelos que tomaram o Executivo de assalto, demonstram que toda a gestão, desde o Golpe de 2016, foi empreendida no favorecimento dos grupos econômicos.” Segundo o documento, as corporações “com desfaçatez no relacionamento histórico com os ocupantes da atual gestão determinam a política da administração da Petrobras”.

O Conselho Deliberativo da FUP aprovou ainda um calendário de ações de vanguarda para barrar a privatização em curso na empresa. “As mobilizações serão implementadas nas próximas semanas e divulgadas pelas direções sindicais à medida que forem realizadas”, diz a entidade.

Na segunda-feira (23), a FUP divulgou nota denunciando que, “enquanto Temer agoniza em praça pública, Parente segue vendendo a Petrobrás”. Em menos de uma semana, a gestão de Parente colocou à venda dois grandes campos de gás natural no Amazonas, que já estão sendo negociados com empresas estrangeiras: o Campo de Azulão, na Bacia do Amazonas, cuja venda foi anunciada pela direção da estatal no último dia 16, e o Campo de Juruá, na Bacia do Solimões, que a companhia anunciou ao mercado nesta segunda-feira, 22.

No início do mês, por meio de seu presidente, a Petrobras anunciou que a estatal vai vender a refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, e sua participação na Petrobras Oil & Gas B.V., na África.

Parente “está saindo pelo mundo e vendendo a companhia”, já havia dito José Maria Rangel à RBA em março. Segundo o coordenador da FUP, a meta dos atuais gestores para venda de ativos era de US$ 16 bilhões até 2016, mas já chegam a quase US$ 50 bilhões. Até agora, Parente entregou parcelas preciosas de Carcará, Iara e Lapa, áreas do pré-sal que foram adquiridas pela norueguesa Statoil e pela francesa Total “a preço de banana”, denuncia a entidade. Segundo a FUP, “o desmonte é tamanho que mais de 60% das sondas de perfuração que a Petrobras tinha em 2013 já foram paralisadas, fazendo as reservas da empresa voltarem aos níveis de 15 anos atrás”.