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Juros

Copom mantém conservadorismo e reduz Selic para 13,75% ao ano

Comitê do Banco Central faz segundo corte seguido de 0,25 ponto percentual. "A evidência disponível sinaliza que a retomada da atividade econômica pode ser mais demorada e gradual", diz o colegiado
por Redação RBA publicado 30/11/2016 18h21, última modificação 30/11/2016 19h11
Comitê do Banco Central faz segundo corte seguido de 0,25 ponto percentual. "A evidência disponível sinaliza que a retomada da atividade econômica pode ser mais demorada e gradual", diz o colegiado
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São Paulo – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu hoje (30) por novo corte de 0,25 ponto percentual, o segundo seguido, na taxa básica de juros, a Selic, que foi para 13,75% ao ano. O resultado mais conservador já era esperado, embora alguns acreditassem em corte mais profundo, de meio ponto.

A decisão foi unânime e sem viés.

"O conjunto dos indicadores divulgados desde a última reunião do Copom sugere atividade econômica aquém do esperado no curto prazo, o que induziu reduções das projeções para o PIB em 2016 e 2017. A evidência disponível sinaliza que a retomada da atividade econômica pode ser mais demorada e gradual que a antecipada previamente", diz o comitê, em nota divulgada logo após o término da reunião.

Durante mais de um ano, de julho de 2015 a outubro de 2016, o Copom manteve a Selic em 14,25%, optando por cortes nas duas últimas reuniões, diante de um cenário de queda da atividade econômica, perspectiva de lenta recuperação e certo controle da inflação. Por outro lado, a alegação é de que o cenário externo ainda causa preocupação, ainda mais com uma vitória até certo ponto inesperada de Donald Trump nas eleições para a presidência dos Estados Unidos.

"No âmbito externo, o cenário apresenta-se especialmente incerto. O aumento da volatilidade dos preços de ativos indica o possível fim do interregno benigno para economias emergentes. Há elevada probabilidade de retomada do processo de normalização das condições monetárias nos EUA no curto prazo e incertezas quanto ao rumo de sua política econômica", afirma o Copom.

Os 13,75% representam retorno ao nível de junho de 2015. Na época, o IPCA acumulado em 12 meses estava em 8,89%. Em outubro, último dado disponível, era de 7,87%, o que indica juros um pouco mais elevados agora, em termos reais.

"A inflação recente mostrou-se mais favorável que o esperado, em parte em decorrência de quedas de preços de alimentos, mas também com sinais de desinflação mais difundida", comenta o comitê.

Críticas

Para a Força Sindical, a queda foi "tímida" e o Copom perdeu ótima oportunidade de sinalizar ao setor produtivo que o país "não bajula mais os especuladores e o rentismo".

"O novo governo precisa entender que a taxa de juro em patamares estratosféricos tem sido uma ferramenta pouco eficaz no combate à inflação, pois, além de encarecer o crédito para o consumo e para investimentos, causa mais desemprego, queda de renda e piora o cenário de recessão da economia", diz a Força, em nota assinada pelo presidente da central e do Solidariedade, deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho. "E o mercado de trabalho tem, em vez de abrir postos de trabalho, demitido vorazmente. E, ao mesmo tempo, a indústria só tem piorado o seu desempenho."

Também para a CSB, a medida é insuficiente e o BC precisa agir de forma "mais ousada", acelerando a redução da Selic. "A diminuição expressiva dos juros poderá colaborar para uma reativação mais acelerada da economia, dar fôlego para as empresas e para as famílias brasileiras, além de ajudar que milhões de desempregados consigam reencontrar o seu merecido espaço no mercado de trabalho", diz a central, em nota, acrescentando que "juros altos interessam apenas aos banqueiros e ao rentismo".