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Sem perspectiva

Temer leva país a fundo do poço e mídia é cúmplice, dizem economistas

Em debate no Centro Barão de Itararé, Laura Carvalho, Eduardo Fagnani e Belluzzo criticam política aplicada pelo governo por aprofundar crise, subtrair direitos e preservar privilégios
por Redação RBA publicado 30/11/2016 18h42, última modificação 01/12/2016 11h03
Em debate no Centro Barão de Itararé, Laura Carvalho, Eduardo Fagnani e Belluzzo criticam política aplicada pelo governo por aprofundar crise, subtrair direitos e preservar privilégios
Raphael Coraccini/Barão de Itararé
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Laura: 'Não há experiências no mundo onde o setor privado retoma a economia'

São Paulo – “Há uma completa falta de perspectiva de saída do fundo do poço”, afirmou ontem (29) a professora Laura Carvalho, do Departamento de Economia da Universidade de São Paulo. O debate organizado pelo Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé teve ainda os professores de Economia Luiz Gonzaga Belluzzo e Eduardo Fagnani, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O tom dos palestrantes foi de crítica contundente à agenda do presidente Michel Temer (PMDB), por provocar a redução de direitos e ampliar privilégios de setores específicos da sociedade.

Segundo Laura, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55 traz "desesperança" ao país. "O grande problema da PEC é que ela não distingue o que é direito e o que é privilégio", afirma, lembrando que a proposta corta investimentos em áreas como saúde e educação, mas mantém o orçamento flexível para o aumento de salários da classe política, por exemplo.

Os meios de comunicação também foram lembrados como propagadores do cenário preocupante desde o momento em que criaram um discurso de que os investidores passariam a apostar no Brasil após a queda da Dilma. Entretanto, a economia vem mostrando sinais consecutivos de enfraquecimento após o impeachment, com agravamento da crise.

Para Laura, ao contrário do que foi bordado pela imprensa, a crise não foi originada de nenhuma "gastança" e o corte gastos e investimentos limita qualquer chance de retomada. "Primeiro, porque o Estado está longe de estar quebrado (…) Se o Estado for encarado como esse grande monstro que alguns pintam, fazemos coro com esse tipo de histeria, que inviabiliza a retomada. E não há experiências no mundo onde o setor privado retoma a economia em um cenário de recessão", observou a professora.

Belluzzo concorda. "Da forma com é tratada a palavra 'austeridade', por exemplo, parece impossível se posicionar contra. Assistir aos comentaristas de economia da TV é um exercício de masoquismo, quase um autossacrifício", ironizou. As contradições do governo Temer, no entanto, não são questionadas pela mídia, assinala ele. "O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, chegou a dizer que apesar de os indicadores estarem em queda, a indústria estaria em franca recuperação. E um comentarista diz que a crise insiste em não ir embora, como se fosse um hóspede incômodo."

A ausência de debate qualificado, para o economista, prejudica uma leitura correta da realidade pela opinião pública. "Sem diversidade de opiniões e ideias, onde prevalece um discurso homogêneo, fica fácil uma visão única fazer sentido. As pessoas não entendem, apenas repetem. Não porque não são inteligentes, mas porque a informação que chega a ela tem essa natureza", disse.

A agenda Temer de austeridade, para Eduardo Fagnani, representa a radicalização do projeto liberal no Brasil, o desmonte completo do Estado, com a "criminalização" dos gastos públicos. "Esse projeto é antigo e não passa pelo crivo popular. O gasto social cresce junto com a democracia. Tanto a experiência nacional quanto a internacional mostram que o gasto social está longe de ser o ponto fora da curva", disse, lembrando do processo de impeachment que afastou Dilma: "A consequência do golpe na economia é levar a uma extrema reforma do Estado passando por cima do voto e da democracia".

Com informações de Felipe Bianchi, no Barão de Itararé

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