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Petrobras corta investimentos em 25%, e FUP aponta perda de conteúdo nacional

Empresa deixará atividades de biocombustíveis e fertilizantes, além de distribuição de GLP
por Redação RBA publicado 20/09/2016 16h50
Empresa deixará atividades de biocombustíveis e fertilizantes, além de distribuição de GLP
Flávio Emanuel/Agência Petrobras
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Pedro Parente apresentou nesta terça (20) os planos Estratégico e de Negócios para gestão 2017-2021

São Paulo – A Petrobras anunciou hoje (20) redução de 25% em seus investimentos para os próximos cinco anos, na primeira revisão feita pelo novo presidente da companhia, Pedro Parente. Além de criticar a decisão, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) destaca o pedido de autorização feito pela companhia à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para importação de plataformas. "A decisão fere a lei que estabelece um percentual mínimo de conteúdo nacional e vem na esteira de outras ações polêmicas da nova gestão da estatal", diz a FUP, citando a venda do campo de Carcará (pré-sal) à norueguesa Statoil, também estatal, e da Nova Transportadora do Sudeste (NTS), que opera a malha de gasodutos da estatal.

De acordo com o comunicado da Petrobras, os investimentos próprios para o período de 2017 a 2021 serão de US$ 74,1 bilhões, corte de 25% em relação ao Plano de Negócios e Gestão anterior. Além disso, a empresa informou que deixará as atividades de produção de biocombustíveis, distribuição de GLP (gás de cozinha), produção de fertilizantes e das participações na área de petroquímica. Haverá "adequação" de participação no segmento de gás e "reorganização" das participações societárias em energia.

A área de Exploração e Produção vai absorver 82% dos recursos previstos. O segmento de Refino e Gás Natural ficam com 17% e as demais, com 1%. O novo plano foi aprovado ontem pelo Conselho de Administração.

"Nos próximos dois anos estaremos concentrados na recuperação da solidez financeira da Petrobras, como uma empresa integrada de energia que tem foco em óleo e gás", declarou Parente. "No horizonte total dos cincos anos desse planejamento, a nossa proposta é que a empresa tenha sido saneada, tenha padrões de governança e ética inquestionáveis para sustentar uma produção crescente, mas realista, e capaz de investir e se posicionar nos processos de transição por que passa o mercado de energia no mundo."

A estatal informou ainda que o plano "mantém o ritmo intenso de parcerias e desinvestimentos", que deverão somar US$ 19,5 bilhões nos próximos dois anos. As medidas deverão resultar em consequente redução de pessoal. "Toda vez que nós fizermos uma parceria ou desinvestimentos será oferecido aos empregados um plano de demissões voluntárias. O número de demissões dependerá de cada transação", disse Parente, segundo a Agência Brasil.

No início do mês, a empresa informou que o Programa de Incentivo ao Desligamento Voluntário (PIDV) 2016 teve 11.704 inscrições.

Na semana passada, a FUP rejeitou proposta de renovação do acordo coletivo feita pela empresa, considerada uma "afronta" aos trabalhadores. A entidade está analisando o cenário com os sindicatos filiados para uma possível paralisação.