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Pochmann defende CPMF como ferramenta de combate à sonegação

Segundo economista, estudos estimam que 10% de todo o PIB brasileiro equivale à sonegação que o Estado deixa de arrecadar, mas ressalta que o governo deve reduzir carga tributária sobre os mais pobres
por Redação RBA publicado 28/10/2015 12h29, última modificação 28/10/2015 16h23
Segundo economista, estudos estimam que 10% de todo o PIB brasileiro equivale à sonegação que o Estado deixa de arrecadar, mas ressalta que o governo deve reduzir carga tributária sobre os mais pobres
Oswaldo Corneti/Fotos Públicas
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Valores que foram sonegados já cobririam as contas públicas e poderiam ser investidos em outras áreas

São Paulo – “A CPMF é adequada porque ajuda a enfrentar um problema sério no Brasil: a sonegação fiscal”, afirma o economista Marcio Pochmann sobre a possível volta da tributação. Em comentário hoje (28) na Rádio Brasil Atual, o presidente da Fundação Perseu Abramo diz que o rombo deixado pela sonegação é um dos grandes problemas da sociedade brasileira. “Estudos realizados estimam que 10% de todo o PIB brasileiro equivale à sonegação que o Estado deixa de arrecadar. A Receita Federal indica que a cada quatro pessoas, apenas uma declara imposto de renda.”

O economista conta que um dos pontos positivos da contribuição sobre movimentações financeiras é o baixo custo de sua introdução no país. Porém, ressalta que muitas pessoas não são favoráveis a mais uma tributação. “É importante que o governo, ao defender a CPMF, reduza alguns impostos que atinjam os mais pobres no nosso país.”

Pochmann lembra que pessoas com maior poder financeiro são mais isentas de tributações do que os mais pobres. “Por exemplo, o IPVA: as pessoas que possuem automóvel pagam o imposto sobre a propriedade do veículo. Isso não ocorre para quem detém helicóptero, aviões ou lanchas. A tributação no Brasil pega as pessoas com menos recursos, e libera os mais ricos. Além da tributação indireta, aquela que está embutida nos preços dos produtos, o pobre, proporcionalmente à sua renda, termina pagando o mesmo tributo que o mais rico. Poderíamos ter um imposto mais efetivo, que seria uma tributação sobre os ricos.”

Ele afirma ainda que um dos principais erros do Brasil é de que a sonegação não é tratada como crime. “Nos casos de corrupção, na maioria das vezes, estão envolvidos os recursos públicos, e o imposto é um dos recursos que não está sendo pago, por ser sonegado, e isso não é visto como crime.”

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