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IBGE

PIB recua no 2º trimestre, com queda no investimento e no consumo das famílias

Recuo foi de 1,9% do primeiro para o segundo trimestre e de 2,6% na comparação com igual período do ano passado. Em 12 meses, retração é de 1,2%. Diminuição do investimento foi a maior desde 1996
por Redação RBA publicado 28/08/2015 09h06, última modificação 28/08/2015 13h14
Recuo foi de 1,9% do primeiro para o segundo trimestre e de 2,6% na comparação com igual período do ano passado. Em 12 meses, retração é de 1,2%. Diminuição do investimento foi a maior desde 1996

São Paulo – O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro variou -1,9% no segundo trimestre em relação ao primeiro e -2,6% na comparação com igual período do ano passado (o quinto recuo seguido nessa base de comparação e o maior desde 2009), segundo o IBGE, que divulgou os resultados na manhã de hoje (28). No primeiro semestre, a queda foi de 2,1% , também ante igual período de 2014. Em 12 meses, a retração é de 1,2%. Em valores correntes, o PIB foi estimado em R$ 1,428 trilhão. Os resultados mostram queda em indicadores importantes, como o de investimentos, além do consumo das famílias. O país tem a segunda retração trimestral consecutiva, o que para alguns economistas configura recessão técnica.

Ainda na comparação com o primeiro trimestre, o PIB caiu em todos os setores e também nos indicadores de investimento e consumo. A retração foi de 2,7% na agropecuária, 4,3% na indústria e de 0,7% nos serviços. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que aponta investimentos, recuou 8,1%, enquanto o consumo das famílias – calculado em R$ 896,1 bilhões – teve queda de 2,1%. O consumo do governo cresceu 0,7%.

Em relação ao segundo trimestre do ano passado, a agropecuária cresce 1,8%. Indústria (-5,2%, sendo de -8,3% apenas na indústria de transformação) e serviços (-1,4%) caem. Segundo o IBGE, o resultado da indústria se explica pelo decréscimo na produção de setores como máquinas e equipamentos, automobilístico, eletrônicos e informática, insumos da construção civil e derivados do petróleo. Também têm retração a FBCF (-11,9%), o consumo das famílias (-2,7%), e o do governo (-1,1%).

"Todos os componentes da demanda interna apresentaram queda, na comparação do segundo trimestre de 2015 contra igual período de 2014", diz o instituto. "A despesa de consumo das famílias (-2,7%) registrou a segunda queda consecutiva. Este resultado pode ser explicado pela deterioração dos indicadores de inflação, juros, crédito, emprego e renda ao longo do período."

Já a queda de 11,9% na FBCF foi a maior desde o primeiro trimestre de 1996 (-12,7%). "Este recuo é justificado, principalmente, pela queda das importações e da produção interna de bens de capital, e também pelo desempenho negativo da construção civil."

Investimento

A taxa de investimento no segundo trimestre foi de 17,8% do PIB, abaixo de igual período de 2014 (19,5%). Já a taxa de poupança passou de 16% para 14,4%, na mesma base de comparação. Com influência da desvalorização do real, as exportações cresceram 7,5%, enquanto as importações caíram 11,7%.

No ano, até junho, a agropecuária também tem resultado positivo, com expansão de 3%. A indústria cai 4,1% e os serviços, 1,3%. O IBGE registra queda de 9,8% na FBCF, de 1,8% no consumo das famílias e de 1,3% no consumo do governo.

Em 12 meses, a agropecuária cresce 1,6%. Os outros setores voltam a registrar queda, de 2,95% na indústria e de 0,5% nos serviços. A FBCF cai 7,9%, o consumo das famílias recua 0,6% e o do governo, 0,3%.

A comparação de dados mostra recuo constante do PIB trimestral em relação ao período imediatamente anterior: 0,1% no terceiro trimestre de 2014, 0% no quarto trimestre, -0,7% no primeiro deste ano (em dado revisado) e -1,9% no segundo. Se a relação é com igual trimestre, os resultados são todos negativos: -0,6%, -0,2%, -1,6% e -2,6%, respectivamente.