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'É preciso reverter o modelo liberal que aprofunda a recessão', afirma economista

Para doutor da Unicamp, as forças conservadoras, por meio de "terrorismo econômico", convenceram o governo a seguir o caminho da recessão
por Redação RBA publicado 18/08/2015 17h30, última modificação 18/08/2015 17h41
Para doutor da Unicamp, as forças conservadoras, por meio de "terrorismo econômico", convenceram o governo a seguir o caminho da recessão
© J. Miranda / Vaidape
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Eduardo Fagnani: "Qual o impacto da elevada taxa de juros? Ela endivida o próprio Estado"

São Paulo – A crise econômica começou a ser fabricada em 2013 pelos liberais, afirmou hoje (18) o economista Eduardo Fagnani, em entrevista para a Rádio Brasil Atual. “Isso gerou uma sanha que foi amplificada pela mídia em um terrorismo econômico fantástico.”

“Como eu posso falar em crise em 2014 se o Brasil tinha taxa de desemprego de 5,5% enquanto a média da Europa era de 15%? Mesmo a dívida pública bruta estava em 55% do PIB, enquanto no Estados Unidos comprometia 100%. O Japão, por exemplo, deve dois PIBs e meio”, argumenta.

No período de 2002 até 2013, a relação entre dívida e PIB caiu vertiginosamente. Diante desse cenário, o economista questiona a necessidade dos ajustes de austeridade praticados pela atual equipe econômica do governo liderada por Joaquim Levy. “Não existia espaço para um ajuste mais suave, que não comprometesse tanto a situação social?”

Na análise de Fagnani, há um esforço ideológico para desconstruir o governo. "O mais triste é que ele assumiu o diagnóstico dos liberais, o que não corresponde à verdade”, diz, destacando o fato de que a austeridade provoca mais recessão. “As receitas caem mais do que os cortes de despesas. Qual o impacto da elevada taxa de juros? Ela endivida o próprio estado. É um contrassenso enorme.”

A saída, segundo o economista, é sair do roteiro traçado pelas forças conservadoras liberais. “É preciso rever o modelo que pode aprofundar a recessão, aumentar os investimentos e o papel dos bancos públicos na economia.” Para ele, agora é a hora de mudar. "Quanto mais tarde, pior."

Ouça a íntegra da entrevista: