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defesa da soberania

Petroleiros fazem atos em Brasília e aeroportos contra projeto que retira Petrobras do pré-sal

Manifestações ao longo do dia alertam a sociedade sobre o risco de retrocesso imposto por projeto do senador José Serra (PSDB-SP), que pretende entregar recursos do pré-sal a empresas estrangeiras
por Redação RBA publicado 30/06/2015 12h40, última modificação 30/06/2015 12h47
Manifestações ao longo do dia alertam a sociedade sobre o risco de retrocesso imposto por projeto do senador José Serra (PSDB-SP), que pretende entregar recursos do pré-sal a empresas estrangeiras
Divulgação FUP
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Trabalhadores no aeroporto de Congonhas, em São Paulo: abordagem de parlamentares no embarque para Brasília

São Paulo – Os petroleiros estão mobilizados hoje (30) para defender a Petrobras de projeto do senador José Serra (PSDB-SP), que pretende tirar a companhia estatal da exploração do pré-sal e entregar os recursos minerais para as empresas multinacionais. Além da concentração em Brasília, os trabalhadores foram durante a manhã para os principais aeroportos do país, para alertar os parlamentares no embarque à capital federal sobre a importância de manter a Petrobras como operadora única do pré-sal.

Em São Paulo, Brasília, Recife, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Curitiba, Vitória, Salvador, Porto Alegre e em outras capitais, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) e seus sindicatos ocuparam os saguões dos aeroportos com faixas e cartazes contra o PLS 131/15, projeto de lei de Serra que pretende acabar com a função de operadora única da Petrobras, bem como extinguir a participação mínima de 30% nos campos exploratórios.

Nesta terça, o projeto será objeto de uma sessão temática no Senado Federal, onde os petroleiros e movimentos sociais se manifestarão contra a proposta do tucano. Apesar de ter sido apresentado há menos de quatro meses, o PLS 131 poderá ser votado a qualquer momento, pois os senadores aprovaram um requerimento que colocou a proposta tramitando em regime de urgência.

Os parlamentares conservadores querem atender aos interesses das grandes petrolíferas estrangeiras, que se articulam para derrubar o regime de partilha, que nem sequer teve tempo de ser devidamente testado, já que Libra, o único campo leiloado sob o novo modelo, só deverá entrar em produção em 2020.

“Estamos na luta defendendo o modelo de partilha do pré-sal brasileiro, que foi um modelo proposto pelo presidente Lula, aprovado no Congresso Nacional e que dará as melhores condições para que os enormes recursos do pré-sal sejam utilizados a bem da sociedade brasileira, notadamente para resolver os nossos graves problemas sociais, principalmente educação e saúde”, afirmou o secretário de Relações Internacionais da FUP, João Antônio de Moraes, em entrevista à Rádio Brasil Atual.

“A lei da partilha foi debatida na sociedade brasileira por três anos após a confirmação da existência do pré-sal. E agora o senador José Serra quer aprovar isso em regime de urgência, mas o petróleo pertence ao povo brasileiro, o povo não deu procuração aos senadores para que entreguem o pré-sal”, defendeu Moraes.

Ele diz que “é preciso que se debata essa questão, que se discuta a visão do Serra e daqueles que defendem o modelo de partilha. E isso não está acontecendo, a aprovação está sendo buscada a toque de caixa; na semana passada aprovaram o regime de urgência e nesta semana querem aprovar o projeto”. Para o sindicalista, fazer isso “a toque de caixa e entregar o nosso petróleo é um desserviço à nação, é um ato autoritário dos tucanos”.

Descolado dos interesses da população, o projeto coloca em risco a arrecadação, o petróleo e o conteúdo local, que é o que determina se o petróleo vai impulsionar o desenvolvimento nacional ou se será meramente um recurso extraído e exportado, deixando aqui só a poluição. “Esse debate tem de ser feito também porque as empresas estrangeiras que já operam no Brasil não têm adquirido seus equipamentos aqui, elas têm importado tudo e assim não se cria desenvolvimento nacional, não se cria empregos e renda”, afirma Moraes. “Infelizmente, só quem tem feito as compras de equipamentos no mercado brasileiro, de máquinas, navios, plataformas, tem sido a Petrobras. Portanto, defender a Petrobras como operadora única do pré-sal é defender os interesses do povo brasileiro tanto na destinação econômica dos recursos do pré-sal, como também o petróleo enquanto alavancador do desenvolvimento nacional. É isso que está em risco com o projeto do Serra”.

A quem acredita nas falácias do jogo de contrainformações da grande mídia, de que a Petrobras está falindo e que o Petróleo não terá valor no futuro, o representante da FUP afirma que esse ponto de vista é um grande equívoco: “A Petrobras passa por alguns problemas, que já estão sendo resolvidos, e já no primeiro trimestre de 2015 a empresa teve R$ 5 bilhões de lucro; pouquíssimas empresas no mundo têm lucro dessa monta. Na verdade, o mundo inteiro queria ter uma empresa como a Petrobras, que domina a tecnologia de exploração em águas profundas e reúne técnicos altamente capacitados para produzir o nosso petróleo; no entanto, infelizmente, a mídia conservadora tem atacado a empresa tentando destruir esse grande patrimônio do povo brasileiro”.

Antes do período do governo Lula, a empresa vinha sendo sucateada pelos tucanos, na época de Fernando Henrique Cardoso. “A empresa foi diminuída, desidratada pelos oito anos de FHC”, diz Moraes. O presidente Lula retomou os investimentos partir de 2003, sem o que a existência do pré-sal não teria sido confirmada. “É realmente uma vergonha que os tucanos, que destruíram a empresa e, portanto, se dependesse deles o Brasil não teria o pré-sal, agora queiram por meio do parlamento entregar o que não tiveram capacidade de descobrir”. Para Moraes, os tucanos têm o entreguismo no DNA e o senador José Serra “está à frente dessa vergonha nacional, que é o PLS 131”, destaca Moraes.

Confira a entrevista de João Antônio de Moraes para a Rádio Brasil Atual: