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'Nossa dependência em relação a bancos públicos é irrelevante', diz Bendine

Presidente da Petrobras participou de audiência pública no Senado e também negou que esteja em discussão um novo processo de capitalização da empresa bancada pelo Tesouro
por Redação RBA publicado 28/04/2015 19h36
Presidente da Petrobras participou de audiência pública no Senado e também negou que esteja em discussão um novo processo de capitalização da empresa bancada pelo Tesouro
Marcos Oliveira/Agência Senado
Bendine

“Nossa gasolina não é tão mais cara, quando se compara em unidades de dólar", afirmou executivo

São Paulo – O presidente da Petrobras, Aldemir Bendini, disse hoje (28) que não haverá capitalização bancada pelo Tesouro na companhia e que a gestão da estatal será mais rigorosa. “Pretendemos trabalhar muito forte na governança corporativa da empresa, na mitigação de riscos, para que possamos ter processos decisórios com mais segurança e sem perder agilidade”, afirmou, em audiência pública conjunta das comissões de Infraestrutura e de Assuntos Econômicos do Senado. "Não pretendemos fazer uma capitalização.”

Segundo ele, a última capitalização feita “pelo controlador” (a União), em 2010, é recente e o tema não é atualmente cogitado. “Não há o mínimo interesse em fazer capitalização, vamos trabalhar fortemente por resultados operacionais ", garantiu. Em 2010, a Petrobras realizou uma grande operação de aumento de capital, que atingiu US$ 69,9 bilhões.

Na audiência, Bendine negou que a estatal seja dependente dos bancos públicos. "Nossa dependência em relação a bancos públicos é irrelevante. Tomamos recursos em bancos públicos, mas também em bancos internacionais, como um banco chinês e um banco inglês”, lembrou.

Em abril, a Petrobras conseguiu viabilizar um empréstimo de U$ 3,5 bilhões do Banco de Desenvolvimento da China, equivalente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e obteve financiamento por meio de um consórcio formado por Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Bradesco, de cerca de R$ 9 bilhões. A estatal também fechou um acordo de cooperação com o banco inglês Standard Chartered de U$ 3 bilhões.

Bendini disse ainda que em 40 dias deve ser concluído o novo plano de negócios da empresa, que vai passar por grande reorganização administrativa. Segundo ele, a nova diretoria, que assumiu em 9 de fevereiro, vem trabalhando dar credibilidade à companhia.

Na semana passada, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo elogiou a divulgação realista do balanço da companhia. “É muito importante que eles tenham dado ao mercado essa amostra de seriedade de fazer uma reavaliação dos resultados. Tudo isso é muito importante. A empresa tem um futuro muito promissor”, disse Belluzzo à RBA.

Na audiência no Senado, Bendine classificou de "justo" o atual preço dos combustíveis no Brasil. Os valores praticados estão dentro da média do mercado mundial, exceto no que diz respeito aos Estados Unidos. De acordo com ele, os preços no Brasil são praticados conforme os custos e margens operacionais da companhia.

Segundo Bendine, os norte-americanos operam em uma realidade volátil em que os preços mudam constantemente nas bombas. Isso, esclareceu, não ocorre no Brasil, onde o modelo é mais estável. “Nossa gasolina não é tão mais cara, quando se compara em unidades de dólar, ao do mercado em geral, como o europeu. Hoje estamos numa condição justa de colocação de preços de derivados e não temos perspectiva de volatilidade em relação a isso”, afirmou.