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Com balanço, Petrobras mostra 'capacidade de superação', diz presidente

Prejuízo total em 2014 foi de R$ 21,587 bilhões, sendo R$ 6,194 bilhões referentes à Operação Lava Jato, conforme estimativa da empresa. Receita de vendas cresceu 11% e produção aumentou 5%
por Redação RBA publicado 22/04/2015 20h00, última modificação 22/04/2015 21h02
Prejuízo total em 2014 foi de R$ 21,587 bilhões, sendo R$ 6,194 bilhões referentes à Operação Lava Jato, conforme estimativa da empresa. Receita de vendas cresceu 11% e produção aumentou 5%
petrobras/divulgação
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Bendine acredita que a partir de agora a empresa volta a garantir credibilidade

São Paulo – Ao divulgar na noite de hoje (22) o seu balanço com os resultados de 2014, a Petrobras mostra "capacidade de superação de desafios em um contexto adverso", afirma o presidente da companhia, Aldemir Bendine. A empresa teve prejuízo de R$ 21,587 bilhões no ano passado, após registrar lucro líquido de R$ 23,570 bilhões em 2013. Segundo a Petrobras, parte desse resultado, ou R$ 6,194 bilhões, deve-se à Operação Lava Jato. O valor foi estimado por meio de uma metodologia desenvolvida pela estatal para calcular o valor total do que chama de "esquema de pagamentos indevidos".

As denúncias de corrupção atrasaram a liberação do balanço. O executivo falou em "sentimento de vergonha" por causa dos "malfeitos" – e fez um pedido público de desculpas em nome dos empregados da Petrobras.

Bendine acredita que a partir de agora a empresa volta a garantir credibilidade. "Este exercício (divulgação dos resultados) me trouxe ainda mais confiança de que iremos responder às questões estratégicas que nos defrontam", diz o presidente da Petrobras. De acordo com o balanço, o principal fator do prejuízo em 2014 foi a perda por desvalorização de ativos (impairment, na expressão em inglês), que totalizou R$ 44,6 bilhões no ano.

O prejuízo concentrou-se no quarto trimestre: R$ 26,6 bilhões. Na atividade de Exploração e Produção (E&P), o impairment foi de R$ 10 bilhões e, segundo a empresa, "ocorreu em função do declínio dos preços do petróleo".

A Petrobras reservou longo espaço para tratar dos efeitos da Operação Lava Jato – e lembrou que os envolvidos não trabalham há três anos na empresa. "De acordo com depoimentos obtidos no âmbito de investigações criminais brasileiras, que se tornaram públicos a partir de outubro de 2014, altos executivos da Petrobras entraram em conluio com empreiteiras, fornecedores e outros envolvidos para estabelecer um cartel que, entre 2004 e abril de 2012, sistematicamente impôs gastos adicionais nas compras de ativos imobilizados pela companhia. Dois ex-diretores da companhia e um ex-gerente executivo, que não trabalham para a Petrobras desde abril de 2012, estavam envolvidos nesse esquema de pagamentos indevidos e serão tratados a seguir como 'ex-empregados da Petrobras'." Dos quase R$ 6,2 bilhões, pouco mais da metade (R$ 3,3 bilhões) foi da área de Abastecimento, que esteve sob o comando do ex-diretor Paulo Roberto Costa.

A empresa disse que não consegue identificar, especificamente, os gastos adicionais nos valores desses contratos com empreiteiras e fornecedores, ou os períodos em que isso ocorreu, e por isso desenvolveu uma metodologia para estimar o valor total no "esquema de pagamentos indevidos". Ao afirmar que "considerou cuidadosamente todas as informações disponíveis", a Petrobras diz não acreditar que novas informações referentes a investigações (externas ou interna) mudem "de forma revelante" essa metodologia. Mesmo assim, continuará monitorando continuamente as investigações "e avaliará seu potencial impacto sobre os ajustes realizados".

Ainda em relação às investigações, a Petrobras lembrou que formou várias comissões internas de apuração, contratou dois escritórios independentes de advocacia e tem "cooperado totalmente" com as autoridades, citando Polícia Federal, Ministério Público Federal, Poder Judiciário, Tribunal de Contas da União e Controladoria Geral da União.

A receita de vendas cresceu 11% em relação a 2013, atingindo R$ 337,260 bilhões. Os investimentos somaram R$ 87,140 bilhões, queda de 17%. A produção de petróleo e gás natural, incluindo Brasil e exterior, aumentou 5%, atingindo a média de 2,669 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed). No refino, a produção de derivados foi de 2,170 milhões de barris por dia (bpd), aumento de 2%.

O presidente da Petrobras informou ainda que a companhia está revendo seus investimentos, com o objetivo de priorizar a área de exploração e produção de petróleo e gás, "nosso segmento mais rentável". A empresa também prepara um novo plano de negócios, "no qual incorporaremos premissas econômicas que refletem o cenário atualmente vivenciado pela indústria do petróleo".