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Hereda afirma que é contra a abertura de capital da Caixa

Presidente do banco diz que se trata de opinião pessoal, mas diz ter discutido intensamente o assunto com a presidenta Dilma, que reconhece o papel social e estratégico da Caixa para o Brasil
por Paulo Donizetti de Souza, da RBA publicado 12/02/2015 13h39, última modificação 24/02/2015 18h13
Presidente do banco diz que se trata de opinião pessoal, mas diz ter discutido intensamente o assunto com a presidenta Dilma, que reconhece o papel social e estratégico da Caixa para o Brasil
Luiz Prado/ Imprensa CEF / Agência LUZ (02/05/2013)
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Hereda: Efeitos positivos dos bancos públicos na economia podem ser percebidos no desempenho do PIB do país

São Paulo – O presidente da Caixa, Jorge Hereda, afirmou que é contra a abertura de capital da Caixa, como foi cogitado no final do ano pelo governo. Há 154 anos, a União é o único controlador da instituição financeira. Durante entrevista coletiva concedida hoje (12) em São Paulo para divulgar dados do balanço de 2014, Hereda ressalvou tratar-se de sua posição pessoal, mas admitiu ter discutido intensamente o assunto com a presidenta Dilma Rousseff. Segundo ele, a presidenta tem plena noção do papel social do banco e de sua importância estratégica para o país, sobretudo por seu potencial de promoção de políticas anticíclicas em meio à instabilidade econômica global.

“A questão é: no Brasil, cabe ou não cabe uma instituição financeira 100% pública? Em minha opinião, cabe”, disse. Segundo o executivo, diante da situação instável da economia mundial, é muito importante dispor de um instrumento capaz de liderar políticas anticíclicas de enfrentamento da crise. “Algum analista econômico já calculou qual teria sido o PIB do país se os bancos públicos tivessem se comportado como os bancos privados nos últimos anos?”, questionou. Para ele, no sistema bancário brasileiro, muito concentrado, os bancos públicos impõem uma “concorrência” que não seja movida “à base da busca pelo lucro exacerbado levada às últimas consequências”.

Jorge Hereda enfatizou ainda que sua posição não é movida por preconceito contra o capital privado ou por opção ideológica. “É questão de lógica, é 100% racionalidade”, defendeu. “A presidenta tem total noção papel social do banco como agente de políticas públicas e está levando isso em consideração.”

A decisão mais provável a ser tomada, pelo que se pode apurar da faça de Hereda, é que seja aberta à capitalização a área de seguros da Caixa, a qual já tem a participação de agentes privados – o banco público controla 52% de sua empresa de seguros e vê na abertura de capital a possibilidade de ampliar sua participação no mercado brasileiro e, em contrapartida, ampliar a participação dos resultados do segmento de seguros no balanço global da instituição.

A presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Juvandia Moreira, considerou correta a posição de Hereda, pois vai ao encontro das manifestações da entidade, desde que a possível abertura de capital passou a ser ventilada, no final do ano. “A Caixa sozinha respondeu por mais de um terço (36%) do crescimento do crédito total no país. As operações de crédito do banco movimentaram R$ 605 bilhões, um crescimento de 22% em um ano delicado para nossa economia. Isso ressalta o quanto ela fundamental para o Brasil”, disse a dirigente.

O presidente da CUT, Vagner Freitas, também destaca a necessidade de o banco continuar 100% público: “Um governo democrático e popular precisa de um instrumento de desenvolvimento, inclusão e fomento ao crédito. Por isso, a CUT defende que a Caixa continue cumprindo seu papel como principal fonte de financiamento das políticas públicas importantes para os trabalhadores e para a sociedade, como o Minha Casa, Minha Vida”.

Lucro maior

O lucro da Caixa, de R$ 7,1 bilhões no ano passado, aumentou 5,5% em comparação com o balanço de 2013 Segundo relatório divulgado hoje, um montante correspondente a 13,4% do PIB passou por operações da instituição. “A Caixa injetou R$ 689,6 bilhões na economia brasileira por meio de contratações de crédito, distribuição de benefício sociais, investimentos em infraestrutura própria, remuneração de pessoal (100 mil empregados), destinação social das loterias, entre outros”, diz o documento.

O banco ampliou a liderança no crédito habitacional (67% do mercado) e sua carteira de R$ 339 bilhões cresceu 25,7% em um ano. Liderou também a captação de aplicações em poupança, com seus R$ 236,8 bilhões correspondendo a 35,7% do total captado pelo sistema bancário. Com ativos de R$ 1,1 trilhão, a Caixa ocupa o terceiro posto nacional nesse quesito e tem como meta de seu plano decenal (2012-2022) estar entre os três maiores bancos do país. A marca da instituição, avaliada em R$ 5,1 bilhões, é quinta mais valiosa do país. “A Caixa cresceu sua carteira de crédito e de clientes (6 milhões de novos correntistas em 2014) nos últimos anos porque, em função da instabilidade, a da falta de apetite do mercado, passamos a alcançar pessoas que não viam alternativas no sistema bancário”, avaliou Jorge Hereda.

Hereda, que preside a Caixa desde 2010, será substituído por Miriam Belchior, disse ser amigo pessoal da ex-ministra do Planejamento, que será empossada no próximo dia 23, e demonstrou tranquilidade ao comentar o momento de transição. Ele acredita que a troca de comando não significará mudança de direção em relação ao planejamento e ao papel da empresa, que considera um time que está ganhando. “Não há por que mudar de rumo.”

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