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Ano razoável

Mesmo com economia em ritmo menor, mercado de trabalho abre vagas

Taxa de desemprego em outubro voltou a um dígito depois de quase dois anos, e tendência de redução deve se manter nos próximos meses. Ocupação reage, mas em velocidade menor
por Vitor Nuzzi, da RBA publicado 27/11/2013 13h11
Taxa de desemprego em outubro voltou a um dígito depois de quase dois anos, e tendência de redução deve se manter nos próximos meses. Ocupação reage, mas em velocidade menor
Marcello Casal Jr/Arquivo ABr
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O setor de comércio e reparação de veículos liderou a criação de postos de trabalho, com 157 mil em 12 meses

São Paulo – Com a economia em ritmo menor, o mercado de trabalho também mostrou menos dinamismo ao longo do ano, mas ainda assim deve fechar 2013 com resultados razoáveis, conforme mostram os resultados da pesquisa da Fundação Seade e do Dieese. Depois de dez meses, a taxa média de desemprego voltou a um dígito no conjunto das regiões metropolitanas, atingindo 9,8% em outubro. Isso também aconteceu na maior delas, em São Paulo (9,6%), o que não ocorria desde janeiro de 2012. E a tendência é de novas reduções nos próximos meses. A criação de empregos aumentou em outubro, ao mesmo tempo em que diminuiu o número de pessoas à busca de trabalho.

O nível de ocupação – indicador da criação de empregos – melhorou de agosto em diante, ainda que o ritmo seja mais lento. Depois de um período longo praticamente estável, na faixa de 0,2%, cresceu 0,5% em agosto, 0,9% em setembro e 1,1% em outubro, sempre na variação em 12 meses. Em outubro do ano passado, o crescimento foi de 1,7%.

Em São Paulo, essa reação é menos perceptível, mas também acontece. Depois de seis taxas negativas consecutivas (de março a agosto), a ocupação em 12 meses subiu 0,2% em setembro e 0,5% no mês passado. Em outubro de 2012, crescia 0,8%.

Em relação a setembro, foram criadas 90 mil vagas, enquanto a população economicamente ativa (PEA) manteve-se praticamente estável, com 4 mil pessoas a menos. Com isso, o número de desempregados caiu em 94 mil, para estimados 2,044 milhões. Em 12 meses, a PEA cresceu pouco (0,4%), com mais 73 mil pessoas – no mesmo período foram abertos 201 mil postos de trabalho, resultando em 128 mil desempregados a menos.

Na região metropolitana de São Paulo, o cenário é parecido: 101 mil a menos na PEA em 12 meses (-0,9%) e 52 mil ocupados a mais (0,5%). O número de desempregados cai 12,8% (-153 mil), para 1,045 milhão.

A criação de empregos em 12 meses concentrou-se, principalmente, no setor de comércio e reparação de veículos (157 mil). Mas o maior crescimento percentual foi registrado na construção civil: 6,2%, o correspondente a um acréscimo de 86 mil postos de trabalho. A indústria de transformação abriu 11 mil vagas (0,4%) e os serviços eliminaram 20 ml (-0,2%).

Ainda em 12 meses, a região metropolitana de Belo Horizonte foi um dos destaques, com crescimento de 6% na indústria de transformação, 5,6% na construção civil, 5,9% no comércio e 3,7% nos serviços. A construção também cresceu em Recife (4,5%) e, principalmente, São Paulo (7,8%) e Salvador (8%).

O coordenador de análise do Seade, Alexandre Loloian, observa que o fato de a PEA se reduzir não é inédito. “A discussão sobre mercado de trabalho no Brasil atualmente tem vários vícios. Querer associar o crescimento da PEA a questões demográficas é um exagero”, observa.

A tendência de formalização do mercado também se mantém. São 296 mil empregos com carteira assinada a mais em 12 meses (3,2%) e 49 mil sem carteira a menos em igual período (-3%). Mas de setembro para outubro, de 60 mil vagas a mais no setor privado, 27 mil foram com carteira e 33 mil, sem. Pode ser um sinal de insegurança do empregador na hora de contratar, acreditam os técnicos.

O rendimento médio dos ocupados cresce (0,9%) em 12 meses, mas com comportamentos distintos: chegou a subir 15,4% em Belo Horizonte e teve altas também em Porto Alegre (4,3%), Fortaleza (4%) e Salvador (1,9%), com quedas em Recife (-2,5%) e São Paulo (-2,4%). Em outubro, a pesquisa não foi feita no Distrito Federal.