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Apenas 2,4% das cidades brasileiras contam com voos regulares, diz IBGE

Concentração
por Agência EFE publicado 21/05/2013 15h36, última modificação 21/05/2013 15h57
Concentração
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Voos entre SP e Rio, principal conexão do país, mobilizaram 5,68 milhões de passageiros em 2010, ano-base do estudo

Rio de Janeiro – Apenas 135 das 5.565 cidades brasileiras, ou seja, 2,4% do total, contam com um aeroporto atendido por voos regulares, segundo um estudo sobre o transporte aéreo no Brasil baseado em dados de 2010 e divulgado hoje (21) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A publicação "As Ligações Aéreas 2010" mostrou que há uma grande concentração no transporte aéreo do país, já que as companhias aéreas tendem a privilegiar as cidades mais importantes e praticamente ignoram as pequenas. O relatório foi realizado a partir de dados oficiais de 2010, ano em que o setor transportou 71,8 milhões de passageiros e 434 mil toneladas de carga em 877 diferentes rotas ("pares de ligações").

Das 877 rotas atendidas regularmente em 2010, 24(3%) somaram 50% de todo o movimento de passageiros e de carga do país em 2010. Os voos entre São Paulo, única grande metrópole nacional, e as outras seis maiores metrópoles brasileiras (Rio de Janeiro, Brasília, Salvador, Belo Horizonte, Porto Alegre e Curitiba) concentraram 25% dos passageiros transportado em 2010.

Os voos que tiveram São Paulo como origem ou destino mobilizaram 26,848 milhões de passageiros, pouco mais de um terço dos 71,8 milhões transportados em 2010 em todo o país. Em seguida ficaram o Rio, com 14,4 milhões de passageiros, Brasília (12,3 milhões), Salvador (6,3 milhões) e Belo Horizonte (5,8 milhões).

Os voos entre São Paulo e Rio, a principal conexão do país, mobilizaram 5,68 milhões de passageiros. A segunda linha com maior movimento foi São Paulo-Brasília, com 3 milhões de transportados, e a terceira São Paulo-Porto Alegre, com 2,6 milhões.

Segundo o coordenador do estudo, Marcelo Paiva Motta, a concentração das rotas beneficia às empresas aéreas, já que reduz as despesas, mas prejudica os passageiros das cidades não atendidas. "A concentração de acessibilidade no Sudeste pode diminuir o custo, mas também reduz a acessibilidade em outras cidades do Norte e do Nordeste", disse.

Dessa forma, enquanto um passageiro que voa entre São Paulo e Teresina realiza uma viagem na média de entre 2 e 3 horas, quem quer ir a essa mesma cidade do nordeste de Tabatinga, na fronteira com a Colômbia, perde mais de 35 horas na viagem pelas conexões.

Da mesma forma, os passageiros residentes em Brasília ou em São Paulo têm de pagar tarifas aéreas na média de R$ 200 por trecho para viajar pelo país. Para quem vive em Tabatinga o preço médio chega a R$ 1.300.


Segundo o estudo, o transporte de carga por via aérea é ainda mais concentrado, principalmente por seus altos custos. Mais de 50% do tráfico de carga é realizado entre 10 pares de cidades e apenas São Paulo foi origem ou destino de 201.132 das 434 mil toneladas de cargas transportas por via aérea no país.

A rota que concentra a maioria dos voos de carga é entre Manaus e São Paulo. O transporte entre as duas cidades mobilizou 99.344 quilos, ou seja, 20% do total da carga transportada em 2010.