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Após reunião com líderes europeus, Dilma afirma que 'pior da crise já passou'

Presidenta firma acordos entre Mercosul e União Europeia, e no fim de semana irá participar da cúpula da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac)
por Maurício Thuswohl, da RBA publicado 24/01/2013 18h05, última modificação 24/01/2013 18h27
Presidenta firma acordos entre Mercosul e União Europeia, e no fim de semana irá participar da cúpula da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac)

A criação de um bloco de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia dominou as conversas na capital (Foto: Roberto Stuckert Filho. Planalto)

Rio de Janeiro – Enquanto a voz de Davos, vinda dos Alpes Suíços, parece soar cada vez mais enfraquecida e distante no Planalto Central brasileiro, a presidenta Dilma Rousseff iniciou hoje (24) uma rodada de negociações com dirigentes europeus que dificilmente seria possível se ela tivesse ido ao Fórum Econômico Mundial, onde muitos deles também não estão.

Em Brasília, Dilma participou da Cúpula Brasil-União Europeia e teve ao longo do dia reuniões com os presidentes da Comissão Europeia, o português José Manuel Durão Barroso, e do Conselho Europeu, o belga Herman Van Rompuy.

Amanhã (25), a presidenta seguirá para Santiago do Chile, onde participará da cúpula da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) com representantes da União Europeia. Ela estará acompanhada pelo ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, e por outros ministros.

Após o encontro de hoje com os líderes europeus, que teve a participação de diversos ministros brasileiros, Dilma conversou com jornalistas e citou o tom otimista das conversas: “Pudemos ouvir entre nós uma avaliação melhor do que naquele momento [o início da crise em 2008], tanto do ponto de vista das perspectivas das economias americana e chinesa como também da própria evolução da situação econômica da União Europeia, onde há uma generalizada percepção que a pior parte ficou para trás”, disse a presidenta do Brasil.

Foram assinados acordos de parceria em áreas como meio ambiente e ciência e tecnologia, mas a implementação de um acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a União Europeia dominou as conversas. Durão Barroso ressaltou que o acordo criaria “a maior área de comércio mundial em número de pessoas” e pediu a Dilma que os sul-americanos tenham “mais empenho para chegar a um acordo equilibrado e ambicioso”. Van Rompuy, por sua vez, citou o bom momento do Brasil: “Esta cúpula está marcada pela ambição de fazermos acordos estratégicos em economia e comércio”, disse.

Celac

Realizada pela primeira vez, a Cúpula Celac-UE ocorre em um contexto global peculiar, onde a Europa aparece enfraquecida, ainda que momentaneamente, pela crise econômica global enquanto os países latinos e caribenhos, com poucas exceções, atravessam um momento de distribuição de renda e crescimento continuado. A oportunidade de associar o capital europeu a novos negócios no continente latino-americano e no Caribe faz com que cerca de 800 empresários de diversos países tenham confirmado presença no evento.

O momento de igualdade nas relações entre os dois grupos de países é comemorado em nota publicada no site da Celac na internet pelo presidente da Eurochile, Vicente Caruz: “Este encontro reúne os dois continentes com maior horizontalidade, o que significa mais oportunidades, mais recursos financeiros e mais projetos tanto para um lado como para o outro. Nós temos hoje um mercado que pode ser atrativo para as empresas europeias, ao mesmo tempo em que podemos aprender muito com a Europa”, diz.

Além de Dilma Rousseff, participarão das discussões e negociações a serem travadas na capital chilena outros presidentes latino-americanos como Sebastian Piñera (Chile), Raúl Castro (Cuba), Cristina Kirchner (Argentina), José Mujica (Uruguai), Enrique Peña Nieto (México), Juan Manuel Santos (Colômbia) e Ollanta Humala (Peru).

O encontro de cúpula também contará com significativa participação de dirigentes europeus. Já confirmaram presença na Celac os primeiros-ministros Angela Merkel (Alemanha), Mariano Rajoy (Espanha), Pedro Passos Coelho (Portugal) e Jean-Marc Ayrault (França). Também estará no Chile o inglês Ken Clarke (ministro sem pasta do Reino Unido), além de Van Rompuy e Durão Barroso.